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19/11/2019
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Ser solidário é uma questão de sobrevivência

[mks_dropcap style=”letter” size=”52″ bg_color=”#ffffff” txt_color=”#000000″]F[/mks_dropcap]oi lendo o livro “Como mudar o mundo”, de John-Paul Flintoff (este livro faz parte de uma coletânea organizada pela School of Life, do filósofo suíço Alain de Botton, e publicada no Brasil pela Objetiva), que tomei conhecimento de uma ação muito bacana chamada Giving What We Can.
Toby Ord, um acadêmico da Austrália, vivia incomodado com a situação de desigualdade social e pobreza no planeta. Mas, como a maioria de nós, não sabia como agir.
Como professor universitário em um país desenvolvido, Ord não dispunha de uma renda colossal, mas por outro lado também não passava necessidades, muito pelo contrário.
Ou seja, está numa faixa que a maioria de nós se enxerga.
Mas se perguntava: o quanto próspero eu sou?
Ao fazer os cálculos, descobriu que estava entre os 4% mais ricos do planeta.
E percebeu que, se doasse 10% dos seus rendimentos, ainda assim ficaria entre os 5% mais ricos.

Foi aí que criou o site givingwhatwecan.org.
Lá você coloca sua renda, o país onde você mora e o número de pessoas na sua casa para descobrir em que faixa de riqueza você se encontra. E depois disso o site sugere uma doação sendo realista.

Faça o teste (eu fiz).
Você até imagina que está numa posição lá em cima, mas é chocante quando vê o número.

Como diz Ord no livro, nós ficamos espantados ao descobrirmos o quanto rico somos, pois normalmente só nos comparamos aos nossos pares.

Citei esse exemplo apenas para defender um ponto de vista.
O texto não é sobre essa ação especificamente.
Existem milhares (milhões?) de iniciativas por aí, cada uma de um jeito.
Desde doação de dinheiro até doação de tempo.

O meu ponto é que sim, temos mais oportunidades de sermos solidários.
Não faço ideia se DE FATO somos mais ou menos solidários graças ao maravilhoso mundo digital.
Mas tenho certeza que ficou mais fácil qualquer pessoa criar ou participar de ações solidárias.
Da mesma forma que ficou mais fácil propagar tudo que de mais perverso existe na humanidade – terrorismo, racismo, xenofobia, pedofilia etc. A lista é extensa, você sabe.

Porém, eu acredito que as boas ações irão suplantar as más.
Pelo simples fato de que precisamos da solidariedade para perpetuação da espécie.
Se não for no amor, será na dor.

Migrações em massa, desastres ambientais, pobreza, ignorância, países inteiros convivendo com doenças que poderiam ter sido erradicadas há mais de um século, tudo isso mostra que o ser humano deve ser solidário, nem que seja por egoísmo.
Uma hora a tragédia de um invade o condomínio fechado do outro.

Já viu um daqueles vídeos em que as formigas se juntam e formam uma grande massa para juntas atravessarem um rio?
Uma formiga morre afogada.
Um formigueiro unido forma uma ilha que flutua lindamente sobre a água.
Pois quando falo de solidariedade é essa imagem que me vem à cabeça.

Como diz Flintoff no livro, citando o filósofo Raymond Williams: “A questão não é tornar o desespero convincente, e sim tornar a esperança possível”.

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4 comentários

Marcelo Gastaldi 16/12/2015 at 4:47 PM

A ironia é a palavra “solidariedade” começar com “so”…talvez exista mesmo algo de egoísta na sobrevivência da espécie…mas continuo desejando que sejamos solidários primeiro pelos outros, e só depois por nós mesmos…parabéns pelo texto, que venham outros! 😉

Reply
Romolo Megda
Romolo Megda 16/12/2015 at 5:13 PM

Boa observação, Marcelo. Valeu pelo comentário! Abs

Reply
Kátia Rocha 16/12/2015 at 10:33 AM

“O ser humano deve ser solidário, nem que seja por egoísmo.”
Nossa, que cacetada!!!
:/
Grande texto!

Reply
Romolo Megda
Romolo Megda 16/12/2015 at 2:40 PM

Obrigado, Kátia! (Agora sim, logado! 😉

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