Quer que eu desenhe? Uma relação entre estudo e sucesso

A expressão “Quer que eu desenhe?”, de acordo com o professor Tomasi do CEFET-MG, surgiu no canteiro de obras da construção civil. Os engenheiros, quando não conseguiam se comunicar utilizando sua linguagem oral, faziam tal pergunta aos trabalhadores para passar corretamente as instruções. Atualmente, esta frase é muito mais pejorativa e chega até a ser agressiva. Utilizamos quando perdemos a paciência ao explicar algo a alguém.

Não sei se perdi a paciência, mas fiz esta pergunta em sala quando achei que meus alunos do 1º ano do Ensino Médio não estavam entendendo minha mensagem. O raciocínio é simples: “Valorize a Educação porque ela lhe trará emancipação e lhe fornecerá uma melhor inserção no mercado de trabalho”. Tá, não usei tais termos com eles. Usei as palavras “sucesso” e “estudo”. Altamente subjetivas, mas me apropriei delas sem culpa intelectual. Daí elaborei um gráfico para expressar uma relação entre estudo e sucesso.

ESTUDO

Estabeleci uma relação direta entre estudo e escolarização. Ambos são conceitos híbridos e esta relação do ponto de vista acadêmico seria totalmente questionável. Mas justificável levando-se em consideração a necessidade de tornar inteligível um conteúdo complexo. O que se chama de “mercado de trabalho” está em mutação acelerada atualmente. E não basta mais um diploma para se inserir e ter uma boa renumeração. Aí é que está a complexidade do assunto. De acordo com a pesquisadora Isabel Macarenco a organização produtiva da sociedade contemporânea, pautada nas novas tecnologias da informação, exige do mundo coorporativo adaptações e dos trabalhadores, outras competências. E eu também aprendi com o professor Tomasi a diferença entre qualificação e competência. Enquanto que a primeira estaria mais ligada à escolarização formal, a competência está relacionada à capacidade de mobilizar conteúdos e saberes para lidar com situações inusitadas. Coisa que a escola não desenvolve. Mas que nós, professores, podemos estimular com aulas criativas. Reflexão impossível de ser desenvolvida em uma aula. E como o objetivo era ser pragmática a ideia da aula foi “Se esforcem em aprimorar seus conhecimentos e habilidades por meio da escola”. Ou seja: estudem.

SUCESSO

Relacionei o sucesso com liberdade e dinheiro e dei um maior grau de importância à liberdade. Expliquei que existem vários tipos de liberdade e que eu me referia à capacidade individual de domínio de sua própria vida e de seu destino. Há, portanto, três níveis de sucesso que dependem do quanto de Educação você consegue extrair da escola. Também expliquei que a escola não é o espaço privilegiado da aprendizagem e que a escolarização das habilidades humanas foi uma perda, ou seja, escola é mesmo chata e não estimula os jovens. Mas é possível que se aprenda com ela. É, na verdade, uma escolha individual. Você pode optar por passar pela escola e não aprender nada. Ou aproveitar os livros didáticos e os professores para extrair conhecimento e crescer. A 2ª opção é a mais inteligente. É obvio. Mas tive que desenhar.

 

 

grafico legenda

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Raquel Melilo
Professora na CEFET-MG - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais

6 Comments

  1. Karol, por favor leia isso 😚

  2. Olá UPDATEORDIE! Primeiramente, o visual do site é muito bacana. Gosto bastante do UX e dentre todos os outros detalhes. Do conteúdo também.

    Porém, navegando pelo site eu notei que se eu venho com o mouse do Header para baixo, eu sou obrigado a passear com o cursor por cima da Navegação Principal, e o que acontece é que abre o Dropdown de cada Item da navegação, ou seja, se eu quiser acessar aquelas chamadas de postagens em destaque, eu tenho que descer com o mouse até o dropdown desaparecer e retornar novamente para poder clicar em um post que esteja ali logo abaixo da nav.

    Eu sou um usuário com problemas, ou algo precisa ser modificado ?

    • Não, não é uma regra. E todas as relações que estabeleci são questionáveis e frágeis. Quando o apliquei vários alunos me questionaram. Eles se sentiram provocados, instigados a me provar que eu estava errada. Aí que eu vi que minha ideia funcionou.

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