Começa aqui a série “SHARE YOUR______”. Projeto, que nasceu da parceria entre SOL Premium, Los Bragas, o Festival Path e trará toda semana, aqui no Update or Die, uma nova história, uma nova inspiração!

É uma série sobre economia criativa com oito episódios e nela você irá conhecer pessoas que decidiram seguir caminhos diferentes, caminhos livres e estão fazendo sua parte para construir um mundo com mais propósito.

Veja o primeiro episódio sobre música:

Música é história. E não é de hoje. Há anos que a produção musical, não só no Brasil, mas como em todo o mundo, acompanha os acontecimentos históricos e torna-se, assim, forma de relato e registro dos mais variados episódios relacionados à política, economia, moda, religião e, por que não tendências ao longo dos tempos.

Daniel Bacchieri, criador do Street Music Map, se apropria da afirmação que abre esse texto para explicar como a música das ruas tem ganhado espaço e, cada vez mais, saindo do ambiente físico ao que antes se restringia – para ganhar o mundo. Andando pelas ruas e metrôs da cidade de São Paulo, Daniel deu de cara com um time enorme de músicos que se apresentavam assim, de forma despretensiosa, tentando chamar a atenção através da arte em meio à correria da rotina das pessoas.

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Ainda desconhecendo o objetivo final da ideia, Bacchieri resolveu registrar, por meio de micro filmes feitos de forma caseira, com o celular mesmo, esses pequenos shows que acontecem diariamente nas ruas e publicá-los no Instagram. Foi assim que o seu projeto, o Street Music Map, nasceu (já falamos bastante sobre ele aqui). O canal cresceu exponencialmente – hoje, colaborativo, soma mais de 1000 vídeos, enviados por mais de 700 colaboradores, de mais de 93 países diferentes. Tornando-se, assim, uma forma de dar luz a esses músicos antes “escondidos”, uma nova janela para o público, que busca coisas novas e uma ferramenta de curadoria para quem trabalha no mercado musical – tudo ao mesmo tempo.

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No vídeo, Daniel fala que hoje, seu maior objetivo é renovar o que assistimos em grandes eventos. E isso vem realmente acontecendo – ainda que em passos lentos, é claro, mas o progresso dessa história já é claramente visível.

Um exemplo disso são os já distantes Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. A cerimônia de abertura atraiu os olhares do mundo todo para o que estava acontecendo no estádio do Maracanã, em uma mistura inédita de personagens musicais dos mais variados gêneros, regiões e idades. Ao mesmo tempo em que veteranos como Elza Soares, Jorge Ben Jor e Paulinho da Viola faziam seu show no palco, nomes da nova geração, como Ludmilla, MC Soffia, Karol Conka e Gang do Eletro tiveram igual espaço para mostrar sua arte – de forma natural, sem colocá-los como “diferentes” ou “participações especiais”.

No palco do Maracanã, diante de todo o planeta, a música de protesto das ruas ganhou voz, literalmente, por meio das rappers MC Soffia, de apenas 12 anos, e Karol Conka, que escreveram uma canção inédita, chamada “Toquem os Tambores”, cuja letra foi exibida no telão, para todos acompanharem. Um ganho e tanto para a música de rua.

A tendência – assim esperamos – é que toda a arte de rua ganhe espaço da mesma forma que a música ganha. Como lembra Kondzilla, ainda há muito preconceito no caminho para levar a rua para o audiovisual e a publicidade, por exemplo. Mas vale ressaltar alguns poucos acontecimentos que reforçam essa luta.

Nas últimas semanas, os olhos do mundo da moda estão voltados para o Brasil, na São Paulo Fashion Week. E, até agora, o desfile mais comentado foi da marca LAB Fantasma, do rappers Emicida e Evandro Fióti. O cantor, como já era de se esperar – ainda bem! – levou para uma passarela, na maioria das vezes elitista, modelos negros e plus sizes, vistos como “fora do padrão” pela grande parte das marcas, dando um show de representatividade. O cantor Seu Jorge, por exemplo, desfilou de saia plissada, reforçando mais uma vez o desejo de quebrar os estereótipos da alta moda. A ação, ainda que pequena, se torna gigante quando colocada diante de um mundo que, até então, não havia aberto os olhos para as ruas, para a pessoas da vida real. Que seja assim, cada vez mais, da rua para o mundo – da música, da moda, da publicidade, do cinema e de onde mais precisarmos chegar.

Continue acompanhando o projeto “SHARE YOUR_____” por aqui.

Semana que vem tem mais.

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