Você sabe como se faz sexo com um gorila?

Não, esse não é um texto sobre zoofilia. Esclarecido esse ponto vamos ao que interessa.

Por Eden Wiedemann, Digital planning focused on social media


Sempre que alguém tentou — muitas vezes inutilmente — me ensinar as vantagens de ser mais flexível, de deixar um pouco de lado minhas certezas e aceitar que preciso me adaptar (e algumas vezes rapidamente) usou metáforas orientais que falavam sobre como o bambu, flexível, se dobrava à força do vento, sobrevivendo à tempestade enquanto o carvalho, com toda sua pompa, se quedava ao chão, derrotado.

Nunca foi difícil entender a mensagem. Era bem clara. É melhor ser água que rocha, amigo. Ouvir, entender, pesar, mudar de ideia. Perder. Sim, até mesmo perder, afinal algumas vezes é preferível ser feliz que ter razão.

Não faziam quinze dias que havia ouvido um advogado me explicar como o direito muitas vezes exigia conhecimento e flexibilidade. “É como tentar encaixar seus argumentos em algumas caixas, as leis, fazendo com que caibam ali sem que a caixa se rompa”. Achei interessante. Uma boa metáfora para descrever as diversas vezes onde entrei em discussões sem fim onde, para ganhar, tentei fazer com meus argumentos coubessem em caixas com formatos distintos daquilo que tinha em mãos. Eu tentava empurrar meu ponto de vista na cabeça de algumas pessoas, sem perceber que aparar algumas arestas podia fazer o serviço. Pensando em ganhar, eu perdia.

Foi então que, em uma reunião de negócios, ouvi a metáfora que vou usar pro resto da vida.

Discutíamos sobre que ações tomar diante de um possível embate com um adversário bem maior e mais forte que nós. Na verdade a questão maior era que estávamos imputando a ele essa imagem de adversário, avaliando os cenários mais plausíveis. Então aconteceu o seguinte diálogo.

— Mas e se ele seguir por esse curso? O que fazemos? — questionou um dos participantes.

— Parece o cenário mais provável, precisamos nos preparar para ele.

— A solução é aquela que já discutimos, ela atende!

E então somos interrompidos por um dos participantes que, com um sorriso, nos perguntou:

— Vocês sabem como se faz sexo com um gorila?

Silêncio. O que aquilo tinha a ver com todo o tema? Sexo? Gorila?

Diante do silêncio e da perplexidade de todos, sem tirar o sorriso do rosto, ele mesmo respondeu.

— Se faz do jeito DELE.

Pimba.

Caiu como uma bigorna na minha cabeça.

Mais uma vez a tal coisa, que durante muitos anos foi tão difícil pra mim, da flexibilidade.

É importante saber escolher nossas batalhas para tentar vencer a guerra. Com um possível adversário tão poderoso teríamos que dançar conforme a música dele, adaptando nossos planos, usando nossa energia, tempo e dinheiro de maneira mais inteligente do que batendo de frente.

É ser bambu.

É ser água — valeu, Bruce Lee.

É aparar aresta para fazer caber na caixa.

É saber que o único jeito de se fazer sexo com um gorila é do jeito que o gorila quiser.

E saber se moldar as situações tirando o melhor proveito dela — sim, eu sei, não consigo imaginar nada de bom na situação envolvendo o gorila, mas você entendeu.

Mais uma metáfora aprendida, mais uma lição absorvida.

E vamos evoluindo, afinal se até Pokemon evolui porque não nós, não é mesmo?

PS. Ok, eu sei, estou numa fase meio auto-ajuda, desculpa. Logo voltamos à programação normal e vamos falar sobre comunicação e negócios.

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Série do UoD que traz sempre um convidado especial para fazer um update que vale por um upgrade.

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