É impossível ver 13 Reasons Why e não ficar com um gosto amargo na boca.

A série está fazendo muito sucesso, há inúmeros textos na internet, aqui no Update or Die, o Nano Fregonese fez um post muito bom (leia aqui) sobre a importância da série e como ela trata de temas pesados que fazem parte da nossa realidade.

Bullying, assédio moral, estupro, abuso sexual, preconceito, solidão são alguns dos temas, mas o que eu quero falar aqui é sobre o efeito borboleta das situações.

Tem um livro que, desde que li, tento colocar em prática as dicas que se chama “Os Quatro Compromissos” (já escrevi sobre aqui). Parece que não tem nada a ver falar de um livro de filosofia aqui no meio de uma série que trata de temas polêmicos, no entanto mais que todos os temas pesados que citei, 13 Reasons Why fala sobre as relações humanas e como uma atitude, pequena que seja, atinge outra pessoa.

Como recomenda o livro, temos que procurar ser “impecáveis com as palavras”. Procurar ser alguém que distribue palavras positivas, e não ser o juiz que aponta o dedo. Temos que ter claro que não temos tempo, o tempo é uma ilusão, o que deve ser feito deve ser feito agora, não dá pra remediar atitudes porque não sabemos quais serão as consequências. O que a gente faz e fala reverbera uma energia que pode servir para florir ou para matar.

Mas nem tudo é preto no branco. Não dá pra ficar supondo coisas, levando tudo para o lado pessoal. Nós temos a nossa ótica da história. O que se passa com o outro e porquê ele tem as atitudes que têm, não há como saber. A vida das pessoas é feita por camadas profundas que não alcançamos ver – e supor ações e reações alheias só vai nos levar à loucura, ao devaneio, à obsessão…

E a série mostra muito bem isso, com um pouco de empatia conseguimos entender a realidade de cada um dos personagens e pensar se no lugar deles não faríamos o mesmo. Estamos todos juntos. Somos filhos do bullying. Vítimas e condenamos. Assim, ao mesmo tempo. Nesta mesma vida.

13 Reasons Why parece uma série adolescente, com assuntos clichês, mas é muito mais profunda do que isso. É um soco no estomâgo de tudo aquilo que fazemos e o que sofremos. Porque todos nós de alguma maneira, somos uma das razões para o suicídio de Hanna – e a dor de muitas outras pessoas:

#NaoSejaUmPorque

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