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Precisamos falar sobre autismo. Mesmo.

Amadurecer, como sociedade, é um processo sistêmico, que pede debate e, até algum ponto, enfrentamento: colocar o dedo na ferida é parte fundamental de nossa evolução, mas isso não precisa — e nem deve — ser uma experiência traumática.

Em um momento que dialogamos tanto sobre diferenças e aceitações, pequenas sutilezas podem ser eficientes em sua missão de fazer entender.

Duas séries sensíveis e urgentes que jogam luz na questão do autismo

O GNT Play, por exemplo, levou ao ar duas séries sensíveis e urgentes que jogam luz na questão do autismo, algo que pede uma compreensão maior — inclusive da própria medicina.

“Todas as doenças mentais são, infelizmente, acompanhada de estigmas e preconceitos, mas o autismo é um caso particular, porque seu espectro é amplo e seu diagnóstico delicado. Transtornos como a depressão, por exemplo, tem características bem delimitadas pela medicina, como insônia, falta de apetite, tristeza profunda, pensamentos suicidas e por aí vai — mas o autismo é, digamos, mais vago, e quase sempre impacta na interação social, o que torna tudo ainda mais desafiador”, explica a terapeuta americana Angela Costello, que há mais de uma década investe na análise do comportamento humano.

“A Vida com Joe” narra a história de um garoto diagnosticado aos 5 anos de idade.

Ainda segundo a especialista, a sociedade tende a “subjugar” a pessoa autista, porque seus comportamentos podem ser imprevisíveis e fogem da norma. Além disso, alguns casos de autismo estão em um espectro tão sutil que “passam batido” por psicólogos e afins — e isso também é prejudicial, uma vez que a pessoa que tem de lidar com essa condição fica sem o devido suporte emocional e psíquico.

“A grande verdade é que tem muita coisa envolvida neste cenário do autismo, e os profissionais que se dedicam a diagnosticar e acompanhar quadros neste espectro têm de se especializar, como acontece em outras áreas da medicina”, conclui Angela.

The A Word (A Vida com Joe)

Para ilustrar esses desafios de forma quase educativa, e extremamente envolvente, a série inglesa The A Word (“A Vida com Joe”, em tradução para o português), narra a história de um garoto diagnosticado com autismo aos 5 anos de idade.

Essa revelação mexe com toda a lógica familiar, e os obriga a enfrentar dilemas pessoais e revisitar preconceitos, medos e fraquezas. Com duas temporadas de seis episódios cada, embarcamos neste drama humano tão pertinente aos dias atuais. Todos os capítulos da série podem ser acessados nas plataformas on demand das operadoras e no GNT Play.

Eu Sou Assim

No mesmo espaço, podemos acessar também todos os treze episódios da primeira temporada da série “Eu Sou Assim”, dirigida por Duda Vaisman em parceria com Calvito Leal.

Série dirigida por Duda Vaisman em parceria com Calvito Leal

A cada capítulo, o espectador conhece a história de dois personagens: uma criança que acaba de receber o diagnóstico e, junto da família precisa aprender a lidar com essa nova realidade; e a história de um adulto que lida há anos com a mesma condição, mostrando que é possível levar uma vida harmônica e feliz.

Todo o empenho da equipe foi empregado na arte de mostrar como o autista enxerga o mundo, utilizando recursos criativos. Para simular o que sente um deficiente auditivo, por exemplo, somos submersos por alguns minutos. Para traçar um paralelo com a hiperconectividade de alguns autistas, a câmera passeia num parque de diversões, fundindo cores e luzes — recursos “fora da caixa” para nos tirar da zona de conforto e nos colocar diante de um debate inadiável.

Depois de muitos desvios e recalculos de rota, é tempo de encararmos de uma vez por toda essa questão — só assim abriremos mais espaço para a representatividade e, consequentemente, integração social. Por sorte, o GNT tem mostrado como é que se faz.

 


Este conteúdo é produzido à partir de uma curadoria feita pelo Update or Die na grade de programação do canal GNT. Compartilhamos nossas impressões e desdobramentos sobre diversos temas, usando os programas que mais nos chamam a atenção como ponto de partida.

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Mentor

Escrito por Eloa Orazem

Sobreviveu ao retorno de Saturno, mas não o fez intacta: se (des)fez em pedaços ao longo do caminho, e agora tenta montar um quebra-cabeça pessoal que faça algum sentido. As dúvidas e as mudanças perdoam a carreira -- Eloá é jornalista há dez anos, e tem passagens por revistas, sites, televisão e rádio.

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