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Relacionamentos: escreva bem, edite sempre

Um dos destaques do primeiro dia de SXSW foi a palestra da psicoterapeuta Esther Perel, especializada em relacionamentos. Esther ficou famosa por este TED Talk, e sua pesquisa explora especialmente a tensão entre a necessidade de segurança versus liberdade.

Ela falou sobre relacionamentos de uma forma bastante abrangente, mas alguns dos pontos mais interessantes, na minha opinião, destaco abaixo.

Pontos Mais Interessantes

[dropcap size=big]1[/dropcap] Por muito tempo os relacionamentos eram muito simples, porque eram regidos por regras muito claras da religião, da sociedade, da cultura. As novas construções de gênero mudaram os papéis dentro dos relacionamento como conhecíamos antes: o casamento era um contrato econômico, onde a dinâmica de poder era muito clara – sabíamos quem detinha o dinheiro, quem podia demandar sexo, quem acordava de madrugada para alimentar o bebê. Após as conquistas dos movimentos feministas, essa dinâmica já não existia, e os papéis de gênero não eram mais tão pré-determinados.

 

[dropcap size=big]2[/dropcap] O papel da comunidade nos relacionamentos: por muito tempo, vivemos em tribos, que ditavam regras sobre como tudo deveria ser feito, em troca de proteção e senso de pertencimento. Muita certeza, muito pouca liberdade, e nunca estávamos sozinhos. Na nossa mudança para a vida nas cidades, passamos a experienciar muita liberdade, mas um senso de solidão muito grande. Com isso, passamos a demandar dos nossos parceiros que fossem a resposta para essa solidão, essa crise existencial e de identidade: exigimos tudo o que o casamento tradicional trazia (estabilidade econômica, proteção, monogamia), mas também exigíamos que essa pessoa nos preenchesse, fosse a nossa alma gêmea. Uma pessoa que deveria nos dar o que uma vez uma tribo inteira proveu.

 

[dropcap size=big]3[/dropcap] Temos necessidades contraditórias: de um lado, precisamos de segurança, estabilidade, proteção, previsibilidade. De outro, de novidade, mistério, liberdade, mudança. Os relacionamentos bem sucedidos são os que sabem reconciliar esses dois lados contraditórios das necessidades humanas. E cada pessoa vai ter um desses lados mais pronunciado que o outro. É importante ter conversas abertas e incômodas sobre o que cada pessoa traz para o relacionamento.

 

[dropcap size=big]4[/dropcap] Sexo também mudou muito com três grandes movimentos revolucionários: o advento da contracepção, que descolou o sexo da reprodução; o movimento feminista, que foi contra as estruturas de poder; e o movimento gay, que trouxe o conceito de identidade sexual. Estamos inseridos em uma sociedade em que somos, ao mesmo tempo, obcecados por sexo e profundamente constrangidos por ele.

 

São muitas as variáveis que compõem um relacionamento saudável, e Esther repetidamente insiste que é necessária uma abertura para conversas desconfortáveis, e que este é um assunto complexo, cheio de nuances, e que não pode ser reduzido a dimensões binárias.

Veja todos esses assuntos na íntegra e a palestra completa de hoje aqui.

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Escrito por Talita Di Iorio

Talita é curadora e fundadora do Minas De Ouro, uma plataforma que promove conexão e conhecimento para mulheres criativas. Formada em publicidade pela ESPM/SP e em produção de eventos de arte pelo Node Center/Berlin. Trabalhou no Twitter, Facebook e Google (SP/ Buenos Aires / Mountain View) e hoje se dedica à curadoria e produção de conteúdo digital.

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2 Comments

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  1. O amor é tão simples de ser vivido, infelizmente a gente complica tudo. Os relacionamentos podem ser muito melhores se aprendermos a compreender o outro com empatia, e desenvolvermos mais amor-próprio. Excelente artigo!

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