Alpha Beat Cancer é um jogo com objetivos que vão além de entreter e divertir, pois tem a poderosa missão de desmistificar o câncer aos pacientes infantis. Criado em colaboração entre a Mukutu e o Instituto Beaba, o game para celulares ganhou o World Summit Awards na categoria global de Saúde e Bem Estar.

O WSA é uma importante premiação global que busca selecionar e promover os melhores e mais inovadores conteúdos digitais do mundo, valorizando a relevância, bem como a contribuição à inclusão e acessibilidade digitais.

A ideia do Alpha Beat Cancer é desmistificar o câncer, sendo assim, o usuário pode se divertir atendendo pacientes, higienizando objetos ou contendo hemorragias – entre outras missões distribuídas em 20 mini-games. Assim, o jogador aprende sobre o mundo oncológico e se sente mais confiante para aderir ao tratamento.

Ludmila Rossi, CMO do grupo Mkt Virtual, comemora o reconhecimento ao Alpha Beat Cancer, um projeto totalmente sem fins lucrativos que desde 2016 já teve mais de três milhões de impressões e mais de 14 mil downloads.

Em uma entrevista ao UoD, Ludmila responde algumas questões sobre o jogo que também levou o prêmio de escolha da audiência no Indie Prize na Califórnia. Confira:

1) Como surgiu a ideia de criar o Alpha Beat Cancer?

A ideia surgiu quando comentei com a Simone Mozzilli (CEO do Beaba) sobre escalarmos um produto que eles já tinham (a cartilha ABC do câncer) a um novo patamar. Eu já atuava como uma das principais doadoras do Beaba, através de eventos beneficentes que realizo anualmente junto com a minha sócia.

Sempre acreditei no trabalho do Beaba e, ao ver a “dificuldade” das cartilhas chegarem a alguns pontos do Brasil, além dos altos custos de impressão, sugeri à Simone criarmos um game gratuito e, no final de 2015, conseguimos ser aprovados no InovaAPPs.

2) Para quem o jogo é destinado?

O jogo é focado para crianças de 4 a 11 anos e está disponível em Português e recentemente foi versionado para inglês. Nas próximas semanas, será publicado em espanhol e catalão, graças a um voluntário que conhecemos em um evento.

3) O câncer é um tema que ainda não é amplamente tratado nas mídias; como o game poderia colaborar com esse tipo de informação?

Essa é uma boa questão. O câncer, especialmente nos países latinos, é carregado de tabus. As pessoas têm mania de falar “aquela doença”, dizer que câncer é doença de quem têm mágoas ou mesmo tem medo de dizer a palavra.

A própria mídia sempre trata o assunto pelo lado melancólico, sempre explorando o drama. Do outro lado, estão os pacientes se apoiando em blogs, grupos e novos formatos de mídia. O Alpha Beat Cancer segue totalmente a linha do Beaba, que é o inverso disso: tratar o câncer de maneira otimista, divertida e realista.

Quanto mais o paciente tem consciência, mais ele é protagonista e se engaja no tratamento. Especialmente as crianças, que quando sabem do que se trata, são muito espertas e acabam não sendo meras espectadoras. O Alpha Beat Cancer transforma as crianças vítimas da doença em pacientes protagonistas.

4) No quesito conhecimento, os games contribuem de uma maneira diferente? 

O game é uma maneira imersiva e de simulação de situações que as crianças passarão no tratamento. É uma forma lúdica e mais divertida de entender o que é uma célula, de como se comportar em um exame e da importância da higienização de objetos por conta da imunidade.

O Alpha Beat Cancer traz 20 minigames que abordam todos esses temas, gerando duas horas de conteúdo onde a criança se diverte e aprende. O jogo possui cerca de 14 mil downloads e é amplamente usado em hospitais desde 2017.

5) Como aconteceu a parceria com o Beaba?

Eu e a Simone nos conhecemos porque ambas somos pacientes de câncer. Tivemos diagnósticos diferentes, mas na mesma época. Ela de câncer de ovário e eu de câncer de língua. A Si já fazia trabalhos voluntários em hospitais e eu a conheci quando fazia parte do Instituto ALGUEM. Depois ela fundou o Beaba e continuei o trabalho de fundraising.

Isso já têm seis anos e nós duas completamos nossa remissão, que é o período “cancer free”, ou seja, significa que nós duas hoje temos riscos de ter câncer similares aos de qualquer pessoa. Pegamos um pouco dessa nossa jornada pessoal para criar um legado positivo e fazer com que os pacientes de câncer possam ser tratados de uma maneira ainda melhor.

Baixe o jogo para iOS ou Android aqui: alphabeatcancer.com. É totalmente grátis e sem nenhum tipo de publicidade.


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