Foram 4 estratégias até agora.

A primeira era muito boa.
Nos rasgávamos ao meio e virávamos dois. Uma ideia simples, mas faltava originalidade. Literalmente.

A segunda também era interessante.
Se a ideia é terForam 4 estratégias até agora variedade, então precisa misturar. Para fazer um, usaremos dois. A peixe fêmea vai colocar seus ovos sobre o coral e o peixe macho passará em rasantes, fertilizando. Funciona bem, mas a maioria morre. Afinal, crescer assim exposto quando você só tem duas células é complicado.

A terceira ideia foi a melhor.
Dizem que quem estreou a novidade foi o tubarão, que já nascia equipado com uma ferramenta feita especialmente para colocar suas células dentro da tubaroa, garantindo assim um lugar muito melhor e protegido do que um coral. Uma espécie de forninho, e nesse esquema dava até para se aventurar em umas receitas mais sofisticadas.

Humanos, por exemplo.

E assim foi.
Também fomos pareando, para cumprir com a vontade da natureza. Durante um longo período inicial, sexo não era essa coisa que não sai da nossa cabeça. Na verdade, nem dava tempo de entrar, era pura necessidade resolvida rapidamente em alguma moita, com o primeiro pareamento disponível (e indisponível também). Só mesmo a sobrevivência seria capaz de nos distrair do sexo. E não morrer foi nossa prioridade por alguns milhares de anos. Incrível como não entendíamos de onde surgiam aquelas crianças que não paravam de nascer, sem imaginar que isso tinha alguma coisa a ver com sexo. Uma ingenuidade tão infantil que chega a ser engraçada, mas lembre-se: a maternidade é obvia e evidente, mas a paternidade não. Crianças simplesmente brotavam nas mulheres, ninguém achava que os homens tinham alguma participação nessa história.

Foi só depois que a sobrevivência foi ficando menos prioritária que sobrou um espacinho pra filosofar.

E aí surgiu a quarta ideia: o pareamento romântico. Parecido com o pareamento #3, com sexo. Mas acrescido da parte romântica.
Um fenômeno muito, muito, muito recente.
E devagarinho o sexo foi migrando para a cabeça, ocupou um espação por lá e ficou mais racional, não apenas instintivo. Sexo de caso pensado.

Mas por que esse update no sexo? Qual era o desafio que fez surgir essa quarta configuração?
Bom, como você sabe, humanos tem gestação longa. Dezoito anos em média. Pode chegar a 35, em alguns casos. É preciso então uma mãe e um pai por perto durante longos períodos.

A natureza precisou inventar uma cola de gente chamada amor, um sentimento subjetivo, mas muito objetivo em sua missão: garantir a manutenção de uma espécie complicada.
Para passar essa cola nas pessoas, a natureza se superou: evoluiu uma anatomia favorável à uma posição frontal e instintiva de pareamento.

Pareados, teríamos como efeito colateral umbigo com umbigo, peito com peito, batida de coração com batida de coração e olho no olho. Envolvimento biológico e emocional numa tacada só.
Pareamento romântico. Estratégia genial.

Claro que depois nós inventamos o dinheiro, que fica na briga pela pole das nossas prioridades de um cérebro cada vez menos encanado com sobreviver e mais interessado em viver, e bem. Até aprendemos a fazer pareamentos pragmáticos (eu disse que era uma espécie complicada). Até oficializamos as coisas, inventamos promessas públicas de pareamentos eternos, assinanos uns papéis, numa tentativa inútil e pretenciosa de tentar dominar uma coisa que foi feita justamente para nos dominar.

Cuidado meu caro e minha cara. Não há páreo para o pareamento original.