A imagem acima é de uma cena do thriller Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, mas poderia ser parte da história de horror vivida pelo ex-cientista da NASA Philip Metzger.

Quando ouvi a história esses dias, minha primeira reação foi perguntar se ele havia derrubado a tampa do vaso sanitário na orelha, porque simplesmente não fazia sentido algum. Mas não, não foi nada disso.

Encontrei o Twitter de Metzger, onde ele relatou toda a história, que aconteceu há cerca de duas semanas. Vamos lá: Dr. Phil Metzger estava cuidando de alguns afazeres corriqueiros que nada têm a ver com seu ofício como cientista.

Em um belo dia, ele estava consertando as válvulas do vaso sanitário, quando deixou escorregar a tampa de cerâmica que caiu sobre o vaso. Nada de extraordinário até aí, a tampa, inclusive, nem sofreu danos.

Mas quem sofreu danos foi ele, pois ficou imediatamente tonto e mal conseguia sair do banheiro. Sem entender o porquê desses sintomas, Metzger resolveu testar a audição. “Eu disse, com minha voz de teste dos sistemas de comunicação das naves espaciais, ‘commcheck um, dois, três… três, dois, um’, mas parecia que minha voz estava sendo projetada por meio de um apito”, explicou.

Ele então notou que isso só acontecia em tons específicos. “A porcaria da tampa só caiu 20 centímetros, como poderia afetar tanto minha audição?”, tuitou o cientista. A única coisa que restava era entender como isso havia acontecido.

It’s Always Sunny in Philadelphia (2005)

O problema foi justamente o fato de a tampa do vaso não ter partido ao cair, pois a energia do impacto foi transformada em som. Metzger explicou que verificou a velocidade do som na cerâmica (4.000 metros por segundo) e determinou a frequência do som, calculando o comprimento da onda da vibração que ocorreu ao derrubar a tampa.

Como a onda estava percorrendo um meio limitado, ela gerou uma onda estacionária, ou seja, ela viajou de uma ponta da tampa à outra e, ao atingir uma das extremidades, retornou. Toda essa energia sonora foi direcionada ao ouvido interno e à cóclea de Metzger e, de acordo com ele, “o suficiente para danificar os capilares, como se fossem grama pisoteada.”

Segundo os cálculos do cientista, foi o mesmo que estar em um show com música alta ou ouvir um tiro a 30 metros de distância. “A energia se converteu em som num período muito curto de tempo, tornando-o muito intenso, e o fato de não ter quebrado ou rachado fez com que mais energia virasse som ao invés de romper ligações moleculares”, explicou.

No fim das contas, Metzger passa bem (ufa) e teve uma melhora na audição por volta de 48 horas após o ocorrido. Mas agora ele nos fez pensar seriamente em tornar nossos banheiros à prova de som. Você pode ver a história contada por ele, em inglês, aqui.

Total
11
Shares