Um dos maiores historiadores de todos os tempos, Eric Hobsbawn disse, certa vez, que a única generalização possível sobre a história é que “enquanto houver raça humana, haverá história”. E se a história é feita pelos homens, que tecem os acontecimentos, ela dá-se nos mais diversos cenários. Cenários que despertam nossa curiosidade para entender todos dos detalhes que compõem um fato histórico. Qual foi o ponto exato às margens do Ipiranga que D. Pedro I deu grito de independência? Onde os navios negreiros atracavam em Salvador? Onde fica a Bastilha e qual sua aparência?

Um dos mais famosos museus do mundo carrega em si a história de sua cidade e da constante mudança dos tempos. O Museu D’Orsay, em Paris, reina absoluto na margem esquerda do emblemático rio Sena, de frente para o Louvre e os Jardins das Tulherias. O prédio foi construído para atender às demandas da pujante capital francesa na virada do século passado e tornar-se uma importante estação de trem.

Vista do Museu D’Orsay às margens do Rio Sena. Foto de @mnb_skr.

Em 1900, Paris recebeu a importante feira mundial “Exposição Universal”, que celebrava os avanços tecnológicos do século XIX e estimulava o desenvolvimento para o século seguinte. Durante sete meses, mais de 50 milhões de pessoas puderam conhecer as novidades sobre meios de transporte, o uso de eletricidade para iluminar ambientes externos e a projeção de filmes feita pelos irmãos Lumière.

A cidade fervia e, para dar conta de tantos visitantes, a estação D’Orsay foi construída. O local escolhido, central e estratégico para uma estação de trem, estava abandonado por 25 anos e entregue ao mato. Ali, em prédio que acabou sendo destruído em 1871 por um grande incêndio durante a Comuna de Paris, morou a rainha Margot, conhecida por sua contribuição para a Reforma Protestante. Depois, o prédio tornou-se quartel dos mosqueteiros, até voltar a ser residência da aristocracia. Em 1810, Napoleão transformou a edificação em Ministério das Relações Exteriores, Tribunal de Contas e, por fim, em Conselho de Estado.

O projeto do arquiteto Victor Laloux, de 1898, mudaria a paisagem à margem do Sena. Reunia influências das termas romanas de Diocleciano e do que havia de mais moderno e, por isso, foi acusado de ser demasiadamente pretensioso. Além da estação de trem, o complexo tinha um hotel luxuoso, desenhado para abrigar os passageiros de rápida permanência e atrair a sociedade parisiense.  Seus salões logo caíram nas graças dos franceses que realizavam bailes, casamentos e recepções.

Gare D’Orsay em funcionamento
Salão do Hotel da estação D’Orsay usado para recepção de pessoas ilustres. Foto 360º: Ronaldo Assim. Clique na foto e viaje pela sala.

Pois como previa a Exposição Universal, a tecnologia não parou de crescer e a estação d’Orsay começou a ficar obsoleta. Suas plataformas já não conseguiam mais receber os modernos trens que começavam a transitar pelos trilhos e ela foi desativada em 1939. O hotel sobreviveu até 1973.

O majestoso prédio ganhou nova vida em 1977, quando o governo francês determinou que ele se transformaria em um museu dedicado a obras do século XIX. Em 1980, a arquiteta italiana Gae Aulenti inicia as obras para transformar a estação em salões de exposição e, em 1986, o Museu D’Orsay abre para o mundo.

Hoje, o museu recebe cerca de três milhões de visitantes ao ano. Em sua coleção estão obras de Renoir, Van Gogh, Rodin, Manet, Coubert, Monet e tantos outros. A história da estação D’Orsay está preservada em meio às estruturas metálicas aparentes e tem como símbolo máximo o enorme relógio que paira sobre esculturas e pinturas penduradas nas paredes, lembrando a todos sobre a transitoriedade do tempo.

Grande salão do Museu D’Orsay

Quem quiser ver mais sobre a construção da estação e do museu, pode visitar o site. Se quiser, conhecer a coleção e fazer um passeio virtual, acesse o Google Maps do Museu D’Orsay.

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