Já existem dezenas de plataformas e agências procurando atender a demanda da relação entre marcas e influenciadores ou a gestão da presença digital das marcas nas redes sociais. Dentre elas, muitas utilizam de técnicas pouco éticas para iludir seus clientes e entregar resultados fictícios.  

A compra de seguidores fakes ou o uso de bots para promover engajamento são as técnicas mais comuns para gerar números equivalentes aos obtidos em veículos de massa.

Vale a ressalva de que é perfeitamente possível utilizar plataformas de gestão de redes sociais ou ferramentas de bot sem necessariamente inferir em estratégias anti éticas. Tudo depende de como essas ferramentas de automatização dos processos serão programadas.

O fato é que hoje é extremamente fácil e barato comprar seguidores, e apesar de não serem pessoas reais, eles ajudam a inflar o número de seguidores do perfil da marca para iludir o “level C” da empresa ou para criar um influenciador digital da noite pro dia.

Muitos profissionais de marketing de grandes ou pequenas empresa, ou até mesmo influenciadores, foram tomados pela ingenuidade do momento e compraram tais serviços. Influenciadores digitais que tiveram um crescimento muito rápido de seguidores e costumam ter publicações com baixo engajamento, são bons candidatos a possuírem uma porcentagem grande de seguidores falsos em seu perfil.

A notícia boa é que essa nossa fase de ingenuidade está passando. Denúncias como a apontada essa semana pela AdAge através do estudo do Points North Group e também repercutida aqui no Brasil pelo Meio e Mensagem mostram que aos poucos, estamos conseguindo identificar fraudes e técnicas de manipulação para inflar números e com isso, alcançarmos um nível de maturidade maior em relação ao marketing de influenciadores, o que naturalmente vai coibir tais práticas.

A surpresa que traz esse estudo do Points North Group é justamente ver no ranking de perfis com seguidores falsos, marcas de grandes empresas como a Procter & Gamble, que possui profissionais marketing qualificados e uma grande preocupação em utilizar métricas reais e eficientes.

Crédito: “Study of influencer spenders finds big names, lots of fake followers”, AdAge, 23/4/18.

Ou seja, ninguém está fora do risco de ser iludido nas redes. É preciso se munir de muito conhecimento e plataformas adequadas para identificar possíveis fraudes. A plataforma de coleta de dados SocialBlade é uma boa opção gratuita para obter indícios da compra de seguidores. Já o TwitterAudit promete dar a porcentagem exata de seguidores falsos de um determinado perfil no Twitter. 

É válido inclusive, questionar e entender qual metodologia e ferramentas foram utilizadas nesse estudo do Points North Group, pois em geral, a identificação de um perfil falso é realizada a partir de um algoritmo que afinal, pode ter falhas.

Para encerrar, um ponto que considero crucial para esse contexto é que casos como esse só existem porque nosso mercado ainda está incrustado num pensamento típico da cultura das massas, mesmo em plena era das redes sociais. É preciso entender que no ambiente das redes, perfis com audiências de massa não são a única estratégia para um bom resultado.

Também é possível ter ótimos resultados quando adota-se uma estratégia em rede, em que a comunicação é disparada por diversos pontos simultâneos, atingindo pequenos nichos, mas que se propagam em rede e alcançam por fim, uma grande audiência.

 


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