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Os rituais supersticiosos de criativos, de Salvador Dalí a Yoko Ono

Coco Chanel – O cinco da sorte

A artista e escritora norte-americana Ellen Weinstein, reuniu 65 depoimentos de criativos sobre rituais supersticiosos no livro Recipes for Good Luck: The Superstitions, Rituals, and Practices of Extraordinary People (“Receitas para a Boa Sorte: As Superstições, Rituais e Práticas de Pessoas Extraordinárias”).

Em artigo para o Artsy, ela citou oito exemplos de grandes personalidades da arte e as crenças supersticiosas que carregavam no dia a dia. Confira o que Weinstein contou sobre esses hábitos de alguns dos nomes mais criativos do mundo e as ilustrações feitas por ela representando cada artista.

Coco Chanel – O cinco da sorte

 

“A estilista francesa Coco Chanel (1883-1971) era profundamente supersticiosa. É dito que ela foi informada por uma cartomante que 5 era o seu número da sorte e ela nomeou sua famosa fragrância de acordo.

O apartamento dela também continha um lustre de cristal criado com formas entrelaçadas no número 5 e ela gostava de apresentar as coleções no quinto dia de maio (5/5) para dar sorte.”

Pablo Picasso – Mantido em sua “essência”

“O artista espanhol Pablo Picasso (1881–1973) não jogava fora as roupas velhas, aparas de cabelo ou recortes de unhas por medo de que isso significasse perder parte de sua ‘essência’.

Picasso colecionou Picasso, e na época de sua morte, possuía cerca de cinquenta mil obras de sua autoria, que iam de gravuras e desenhos a peças de cerâmica e teatro.”

Charles Dickens – Dormindo virado para o Norte

“Charles Dickens (1812 – 1870) carregava consigo uma bússola em todos os momentos e sempre dormia virado para o Norte – uma prática que ele acreditava ter melhorado sua criatividade e escrita.

Autor de romances clássicos como A Christmas Carol e Great Expectations, Dickens também foi um crítico social guiado por uma forte bússola moral, que ele tornou evidente através de suas representações incisivas de condições socioeconômicas.”

Yoko Ono – Acendendo um fósforo

“A renomada artista multimídia e ativista da paz Yoko Ono era muito sensível ao som e à luz quando jovem. Ono descobriu que acender um fósforo e ver a chama se extinguir em um quarto escuro trazia uma sensação de alívio.

Ela disse que repetia esse ritual continuamente até que se acalmasse. Mais tarde, esse hábito tornou-se uma peça de performance, chamada Lighting Piece, que foi gravada com o coletivo Fluxus.”

Diane von Fürstenberg – Moeda da sorte

“A estilista e ícone Diane von Fürstenberg tem um pedaço de ouro de vinte francos que seu pai escondeu no sapato durante a Segunda Guerra Mundial e deu a ela quando era pequena.

Ela cola a moeda no sapato para dar sorte antes de cada desfile de moda. Mais conhecida por ter criado o icônico vestido envelope, os designs influentes de von Fürstenberg estão disponíveis em mais de cinquenta e cinco países em todo o mundo.”

Frida Kahlo – Jardineira natural

“As pinturas de Frida Kahlo (1907–1954), muitas vezes autobiográficas, estão cheias de plantas e flores que ela mesma cultivou no jardim da casa que dividia com o artista Diego Rivera.

O jardim bem cuidado de Kahlo era um lugar de conforto e inspiração, onde ela passava horas cuidando de plantas, frutas e flores, muitas das quais eram de origem mexicana.

A mesa de pintura de Kahlo era voltada ao jardim e seu último pedido quando voltou do hospital antes de morrer era que sua cama fosse levada para o jardim.”

Dr. Seuss – Chapéu durante bloqueios criativos

“O autor e ilustrador Theodor Seuss Geisel (1904-1991), mais conhecido como Dr. Seuss, manteve uma imensa coleção de cerca de 300 chapéus.

Ao se deparar com bloqueios criativos, Dr. Seuss ia até seu armário secreto onde escolhia um chapéu para usar até que se sentisse inspirado novamente.

Os hábitos caprichosos ajudaram a criar alguns de nossos livros infantis mais populares, incluindo o clássico The Cat in the Hat.”

Salvador Dalí – Pedaço de madeira espanhol

“O pintor surrealista espanhol Salvador Dalí (1904-1989) era muito supersticioso e carregou um pedaço de um tronco de árvore da Espanha para ajudá-lo a afastar maus espíritos.

Dalí foi um pintor proeminente e influente cuja vida e obra abraçaram o surrealismo. Conhecido por suas idiossincrasias, ele quase sufocou uma vez ao dar uma palestra vestindo terno e um escafandro na cabeça.”

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Written by Laura Reif

Jornalista freelancer, fã de Smiths, Tolkien e Allen Ginsberg. Gosta de gatos, café, comida vegana e karaokês. Ariana, mas não acredita nesse negócio de signos. Se especializou em jornalismo cultural e tem interesse em arte, tecnologia, cinema e listas engraçadas.

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2 Comments

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  1. De muitas formas, todos os criativos, consciente e inconscientemente, possuem algum tipo de “ritual”… um horário certo pra criar… um lugar… uma móvel apropriado… uma ajudinha química aqui e ali… raros são os casos nos quais vemos a criação espontânea, completamente livre de amarras… a criação típica ainda bebe forte das fontes religiosas… o uso da expressão “ritual” já prova que o criativo ainda é um mensageiro de algo que não é dele, mas de algum tipo de divindade que o abençoou, inspirou e lhe deu de presente uma obra inédita… interessante ler sobre as práticas pré-inspiração de grandes mestres criativos, mas ainda prefiro a busca do voo livre de interferências etéreas ou metafísicas… pelo menos por enquanto!

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