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Alguns detalhes de “This is America” que podem ter passado despercebidos

Childish Gambino (Donald Glover) lançou duas novas músicas no Saturday Night Live neste fim de semana, e enquanto ele estava no palco, também lançou o videoclipe de um dos singles, “This Is America”.

O vídeo, coreografado por Sherrie Silver e dirigido por Hiro Murai, tem muita coisa para um clipe de quatro minutos e é uma obra que condensa muito do que está acontecendo nos Estados Unidos.

Nos últimos dias tem se falado muito do vídeo, que já possui mais de 48 milhões de visualizações no YouTube. Em fóruns, posts de redes sociais e na mesa do bar, todo mundo está especulando o significado por trás das simbologias do clipe.

Então procurei algumas delas, me deparei com teorias e teorias, e separei algumas abaixo.

Calvin The Second

Alguns usuários do Twitter inicialmente acreditavam que o homem tocando violão no início do vídeo era Tracy Martin, pai de Trayvon Martin, o jovem negro de 17 anos que foi morto pelo segurança George Zimmerman em 2012.

Acontece que na verdade é Calvin II, um músico de Los Angeles. Há quem acredite que ele representa a trajetória do blues nos Estados Unidos. O gênero surgiu como forma de união e resistência da comunidade negra no século XIX.

A vitória de Jim Crow

Algumas teorias dizem que a morte do homem que que tocava violão representa a tradição cultural que venceu no final, a de Jim Crow.

Jim Crow foi quem deu origem a um tipo de “performance” das mais racistas, no início do século XIX. O comediante Thomas D. Rice criou o personagem após uma visita ao Sul dos EUA, onde descobriu que era um costume comparar os escravos com corvos (“crow”, em inglês).

Foi dali que veio a ideia de pintar o corpo de preto (o famoso “blackface”) e de se apresentar em casas de shows incorporando o que achava ser o “típico escravo negro”: um cara burro, atrapalhado, vestindo trapos.

África do Sul

As danças feitas pelos estudantes reproduzem movimentos de trap, rap e de uma dança sul-africana, a Gwara Gwara.

Por conta do figurino dos dançarinos, relacionou-se a performance aos estudantes presentes no massacre de Soweto, na África do Sul.

Em 1976, durante o Apartheid, cerca de 15 mil jovens estudantes sul-africanos saíram em protesto contra o sistema de educação.A polícia reprimiu a manifestação com violência e matou mais de 20 estudantes.

Igreja de Charleston

Em 2015, Dylann Roof, um supremacista branco, entrou em uma igreja de uma comunidade negra nos Estados Unidos e matou nove pessoas. Roof declarou no julgamento que não se arrependeu do ato e acrescentou: “Ninguém me obrigou.”

Portanto, é de se esperar que muita gente esteja enxergando nesta cena uma referência ao massacre na igreja de Charleston.

Celular x Arma

Uma interpretação para os garotos com os rostos cobertos mexendo nos celulares é a de que representam Stephon Clark, um jovem de 22 anos que foi assassinado em março deste ano por policiais que “confundiram” o celular dele com uma arma.

Nesse momento do clipe, Childish Gambino canta “This a celly. That’s a tool”(“Isso é um celular. É uma ferramenta”).

Corra!

No final do vídeo, Gambino corre por túnel escuro, em desespero. Alguns dizem ser um retrato claro dos negros fugindo da violência policial, enquanto outros dizem que, além disso, a cena faz referência ao filme “Corra!” (2017), do diretor Jordan Peele.

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Escrito por Laura Reif

Jornalista freelancer, fã de Smiths, Tolkien e Allen Ginsberg. Gosta de gatos, café, comida vegana e karaokês. Ariana, mas não acredita nesse negócio de signos. Se especializou em jornalismo cultural e tem interesse em arte, tecnologia, cinema e listas engraçadas.

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