Fileiras de carteiras, alunos sentados, lousa, professor de pé, montes de livros, cadernos e canetas.

A maioria de nós, para não dizer todos, fomos educados em um sistema que centraliza no professor o papel da informação e delega aos alunos a condição de aprendizes. Era assim em 1890, em 1930, em 1980 e nos dias de hoje, em quase todas as escolas. Não é preciso dizer que o mundo mudou. A informação pode ser acessada a qualquer hora, de qualquer lugar, em segundos.

Então, qual o papel do professor contemporâneo?

Para a professora sênior da Escola de Educação da Universidade de Harvard, Katherine Merseth, os educadores têm hoje o papel de facilitadores da aprendizagem. Afinal, para que serve tanta informação se não conseguimos concatená-la? Mais do que detentores do saber, professores devem ser capazes de estimular seus alunos e se aproveitarem do mundo contemporâneo para contribuírem com o desenvolvimento da turma. “Temos que preparar os estudantes para o mundo complexo e para profissões e setores que nem existem ainda”,  reforça a docente.

O professor também aprende com os alunos e valoriza a troca de informações e o relacionamento que constroem juntos

Bullying, violência, questões étnico-raciais, de gênero e tantas outras, entraram na sala de aula e não devem sair tão cedo. São temas que vão além do conteúdo curricular e dialogam com a sociedade em que a escola está inserida. Para estimular uma nova forma de pensar e ajudar os professores a se desenvolverem como facilitadores, Merseth levou para educação a metodologia de estudos de casos, tão comuns na medicina, no direto e nos negócios.

Método de estudo de casos

A abordagem pedagógica denominada Método de Instrução de Casos tem o objetivo de mostrar formas desenvolver habilidades como diagnosticar problemas e reconhecer múltiplas influências e perspectivas. Assim, professores se tornam mais capazes para discutir situações difíceis ou dilemas, pensando e criando soluções que sejam adequadas às suas realidades em sala de aula.

Segundo a professora Merseth, “apreender com o método de casos pode ser uma forma extremamente poderosa e agradável de adquirir novos conhecimentos e crescer como profissional. E, como a aprendizagem baseada em casos não traz respostas ou soluções específicas, é uma forma de envolver os professores no exercício de sugerir e analisar possibilidades, além de dar oportunidade de construir uma compreensão ao ouvir interpretações e sugestões dos outros”. Ou seja, mais do que respostas certas ou erradas para lidar com problemas reais, o método leva o docente a questionar soluções e pensar além da cartilha. O foco é a prática e o conceito é estimular a aprendizagem ativa, conectando professores e alunos pelos seus lados humanos.

No livro recém-publicado, “Desafios reais do cotidiano escolar brasileiro”, são relatados casos de todas as regiões do país, de diferentes temas e diferentes fases dos ciclos de ensino. São dilemas concretos da nossa educação, que tem o tamanho de 180 mil escolas e mais de 48 milhões de estudantes, escritos pelos professores, coordenadores e diretores que estão na linha de frente, todos os dias nas salas de aula.


O livro é uma parceria entre a professora Katherine Merseth, o Instituto Península, a Fundação Santillana, o Instituto Singularidades e o David Rockfeller Center for Latin America Studies, da Universidade de Harvard, e pode ser acessado gratuitamente pelo site, além de versões em português e inglês para download.