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Por dentro das Matrioskas e dos símbolos impostos

Vodkas e matrioskas lideram os pedidos de “lembrancinhas” de qualquer ser humano sociável que viaja à Rússia, mas enquanto a primeira nos ajuda a esquecer as coisas da vida, a segunda só faz lembrar: a bonequinha tradicionalmente associada à maternidade tem muitas origens diferentes, porém a mais aceita é de que tenha sido criada em 1890, e a partir de então ganhado popularidade no período pré-revolução,

Caracterizada por “abrigar” uma boneca dentro da outra, sua pintura tradicional é de uma mulher em trajes típicos, mas customizações sempre foram possíveis – e agora são mais populares que nunca.

Embora facilmente encontrada em qualquer loja de souvenir local, o brinquedo é um símbolo cultural “espontâneo”, porque, embora os russos relatam não ter uma conexão afetiva com a boneca, facilmente associam as “babuskas” à terra natal.

Para eles, o turismo foi o grande catalisador desse dito “ícone nacional”, uma vez que quase nenhuma família russa tem uma dessas bonequinhas em casa, e as crianças tampouco interagem com o brinquedo.

O curioso disso tudo é perceber como e quanto a influência externa age sobre um povo. Temos aqui um país de dimensões continentais, com um povo educado e inteligente, que reconhece a falta de conexão emocional com um objeto que foi, sabe-se lá porquê, transformado em símbolo nacional por estrangeiros – e aos poucos o conceito foi incorporado pelos russos também.

Então sem grandes afetos, mas com grandes lucros, a Rússia segue vendendo matrioskas como ninguém – e chegou ao ponto de quebrar o recorde com um “kit” delas. O maior set de bonecas estilo matrioskas do mundo foi pintado à mão pela russa Youlia Bereznitskaia, e tinha 51 bonecas, que concluiu o projeto em 2003. Já a maior matrioska tem quase 54 centímetros, enquanto no outro oposto temos o brinquedo com 0,3 cm.

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Escrito por Eloa Orazem

Sobreviveu ao retorno de Saturno, mas não o fez intacta: se (des)fez em pedaços ao longo do caminho, e agora tenta montar um quebra-cabeça pessoal que faça algum sentido. As dúvidas e as mudanças perdoam a carreira -- Eloá é jornalista há dez anos, e tem passagens por revistas, sites, televisão e rádio.

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