Num almoço com um jornalista russo, ouvi dele uma definição bastante curiosa sobre o seu povo: “os russos são como vulcões – podemos passar um longo período de tempo adormecidos, calados, mas quando a gente entra em erupção…”

UoD na Rússia: DJs

Exageros à parte, procurei adequar sua fala ao que via pelas ruas moscovitas, e falhava miseravelmente a cada esquina – mal sabia que aquelas palavras ecoavam no subsolo da capital. E somente à noite.

Dias depois, perdida na região limítrofe central, buscava informações a quem pudesse e passasse, mas o idioma se mostrava uma barreira intransponível, e a internet do celular não colaborava.

Felizmente um rapaz pediu para que eu o acompanhasse – por mímica, entendi que ele me levaria até um lugar onde alguém falasse inglês.

Achei estranho quando ele começou a descer umas escadas ligeiramente estreitas e escuras, mas como não me sentia insegura, nem nada, apenas continuei seguindo seus passos.

Para minha surpresa, acabei em um bar subterrâneo, o Vinyl and Wine, que me chamou atenção pela localização pitoresca, pelo ambiente simultaneamente moderno e acolhedor, e pela gastronomia incrível do lugar – porque uma vez ali, né?, perdi até a pressa de ir embora.

Entre uma garfada e outra, vejo uma mulher toda estilosa cruzava o salão para se posicionar atrás das picapes – e a cena ganhou contornos ainda mais hypes quando percebi que era o tipo de DJ raiz, daquele que aposta num bom vinil.

Embora saiba que há prós e contras na arte de conduzir uma picape (e uma festa) com esse recurso, tendo a admirar quem opta por fazer tudo dessa maneira old fahsion, porque, ao seguir com vinil, a pesquisa tem que ser maior e a dedicação ao ofício também.

Divagando sobre essas questões, lembrei ainda que nas últimas duas festas que estive em Moscou, eram as mulheres as responsáveis pela trilha sonora – o que não me parecia muito lógico numa sociedade machista, como a russa.

Tudo isso me fez perceber que Moscou tem regras diferentes para a noite a para o dia – como geralmente acontece em grandes metrópoles: quando o sol se põe, (quase) tudo pode acontecer.