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Escassez e fartura, uma reflexão sobre a Cultura do Desperdício

Talvez pela abundância de recursos naturais ou a forma como nos colocamos diante da natureza, vivemos uma cultura da fartura que nos leva ao consumo excessivo e consequentemente ao desperdício. O resultado é que 30% da comida do mundo é jogada fora, enquanto milhões de pessoas estão passando fome. Esse é o tema do documentário Cultura do Desperdício – Por uma sociedade mais consciente, da Conteúdos Diversos, com direção de Paula Galancini e produção executiva de Silvia Prado, e que acaba de estrear no GNT.

Inicialmente lançado em 2017 na Virada Sustentável, o filme traz um debate ético sobre a forma com que os seres humanos agem com a natureza em relação ao desperdício e a sustentabilidade.

Com exemplos e entrevistas com ativistas, sociólogos, empresários, especialistas em direito ambiental e pessoas que passam fome ou estiveram em situação de insegurança alimentar, o documentário expõe as distorções da cadeia de produção, seja no manuseio, na compra desenfreada e na mesa do consumidor. Ações que nos levarão a uma vida pior do que poderíamos suportar. Não é à toa que 50% dos temas que a ONU (Organizações das Nações Unidas) debate, estão relacionadas a questão da alimentação.

No entanto, apesar dos dados alarmantes, a obra ecoa também uma visão otimista sobre o futuro com a propagação de micro-organizações, como os bancos de alimentos responsáveis por fazer a ponte entre quem quer e pode doar e quem precisa receber. Assunto que precisa ser melhor discutido entre governo e sociedade civil, com novas Leis e mecanismos para garantir a segurança dos que doam alimentos e de quem está obtendo.

As cenas revelam que é possível existir um equilíbrio entre escassez e excessos nos processos de produção por meio de soluções e pensamentos interdependentes e não excludentes. Se fazemos parte do problema, também somos parte da solução, afinal, cultura nada mais é que um conjunto de valores que podem ser moldados e modificados com a ajuda da informação e conhecimento.

Vale assistir (disponível na plataforma GNT.doc).

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Escrito por Beatriz Lorente

Jornalista, comunicação criativa.

Anos de UoD

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