Tá aí um tópico interessante prá gente pensar em como “as máquinas vão substituir os humanos” em breve.

Como a Inteligência Artificial funciona quando pensamos em Música.

Algumas experiências já estão disponíveis como o projeto SKYGGE, do compositor francês Benoit Carré, que usou o Flow Machines para criar 15 músicas do álbum Hello World.

Eu particularmente acho que é uma viagem na linha “liga aí o programa e dá uma pirada”, mas já é um começo para entendermos como as máquinas e redes neurais podem ajudar na criação musical. Até tem música legal lá no meio, mas acredito que foi muito mais um projeto para provar que é possível do que efetivamente algo pensado pro mercado.

Outro projeto que já está no ar é o AIVA (Artificial Intelligente Virtual Artist), que inclusive lançou várias músicas eruditas no Soundcloud e tem todos os fonogramas e copyrights registrados na SACEM (A sociedade de compositores francesa).

Disseram seus criadores:

“Ensinamos uma deep neural network a entender a arte da composição musical lendo uma grande base de dados de partituras clássicas escritas pelos mais famosos compositores (Bach, Beethoven, Mozart, etc.). Aiva é capaz de capturar conceitos de teoria musical apenas fazendo essa aquisição de obras musicais existentes”.

O resultado? AQUI

Até o Bowie fez das suas nos anos 90 quando usou (e ajudou a desenvolver) um programa chamado Verbasizer para agrupar frases e palavras pré-enviadas em uma letra diferente do que ele havia criado inicialmente.

Além deste ainda temos o Magenta do Google, o IBM Watson Beat, Amper e muitos outros.

Um interessante que já pude testar é o Melodrive, que cria música adaptativa e loops completos para experiências em Realidade Virtual baseado no mood e na localização que você quer dentro do Unity3D.

Outro ainda é o Orb-Composer, que cria temas, sub-temas, perguntas, respostas, e outros movimentos, mudando a tonalidade, a harmonia e mais outros padrões conforme o “humano” por trás da máquina queira. Este já estou usando para um projeto de Binaural Beats com música eletrônica, e os resultados são bem interessantes até o momento.

Um trecho de uma música usando o Orb-Composer. Os solos e o encadeamento harmônico vieram dele (com as informações que coloquei lá). O resto eu montei em cima.

Resumindo? Todos os aplicativos usam redes neurais para analisar músicas já criadas, descobrir o que elas tem em comum e como elas funcionam, e a partir destas informações, criar música artificialmente.

Mas o quanto isso vai destruir (ou melhorar) o mercado musical? Será que teremos robôs artistas num futuro próximo? Será que o compositor será mais um a perder seu emprego para uma máquina?

A resposta aqui, pelo menos para mim, é não. O compositor não vai sumir só porque uma máquina aprendeu o que ele faz baseado em tudo que já foi feito até hoje.

Acredito que as máquinas vão mais ajudar os compositores a criar música diferente, mais livre, com mais referências e mais rapidamente. Tempo e custo são dois fatores a serem levados em conta quanto a isto. Se otimizar, acho que vale. Mas aquela música criada “do zero”, com uma função específica, por um compositor específico, para uma ocasião específica? Essa vai ficar.

Bom, juntando todas essas infos e partindo do pressuposto que a inteligência artificial analisou todas as músicas já criadas até hoje. As dúvidas que ficam são:

Quantas das músicas analisadas são boas? Quantas foram sucesso?

Qual o propósito da música analisada e para quê a IA vai criar?

A música vai funcionar? Vai dar o resultado que eu quero?

Aquela sensação de deja vú (que rola atualmente em 80% do Pop produzido) vai sumir (outro assunto interessante. Como compositores usam IA para tentar criar o próximo sucesso mundial)?

A IA será realmente criativa? Ou só uma junção de padrões pré-analisados?

Como a IA pode surpreender os ouvintes? Isso pode ser programado também?

Acho que em projetos criativos como criação musical a inteligência artificial vai ajudar. E muito. Mas não vai resolver 100%. Criar padrões, gerar melodias, sugerir caminhos, escolher texturas, ajudar a pensar em harmonias, criar novos caminhos, dar novas idéias baseado em mashups de idéias antigas colocadas em perspectivas diferentes, gerar conteúdo rápido, ser um assistente poderoso em algumas tarefas.

Mas efetivamente substituir o humano, acho que ainda não. Aliás acho que criatividade é algo que uma máquina não será capaz de suplantar. Mesmo com toda a informação do mundo, com todos os dados analisados.

Sempre tem alguma coisa surpreendente que a gente pode fazer que não se baseia absolutamente em nada já antes criado.

Enfim, vou continuar a fazer minhas músicas aqui.

Até porque tem job prá entregar e o cliente quer uma coisa completamente inovadora.

E ainda não existe o botão “cria aí alguma coisa inovadora” para resolver meu problema.

Tudo de bom,

Billy.

PS_A gente nem percebe, mas já existem uma série de aplicações de Inteligência Artificial hoje em dia completamente relacionadas à Música. Ou você acha que tem alguém pesquisando e criando playlists do Spotify “na raça” baseadas no seu gosto? E que todas essas músicas que são as mais tocadas e tem aquele vocal feminino que vc não consegue mais distinguir quem canta o quê são pura coincidência?

 

PS2_Este post, mais um post do William Barter, mais um evento de IA que participei ontem, me fizeram escrever mais um texto sobre o assunto. AQUI

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