Palco de grandes manifestações políticas nos últimos dias, o ambiente digital felizmente é também um terreno fértil para a propagação de plataformas que se movimentam por vínculos de afinidade e com o objetivo de espalhar conhecimento entre a comunidade.

Assim nasceu o Fiozera, criado por André Biagioni, engenheiro eletrônico, que viu no site uma oportunidade de difusão de conceitos relacionados a componentes elétricos, eletrônicos e outras derivações da arte de fazer.

Ainda na adolescência, ele foi inspirado pela engenheira elétrica americana, Limor Fried, da Adafruit, que costumava compartilhar gratuitamente suas experiências e criações para que todos pudessem desenvolver produtos iguais e/ou semelhantes. E assim, em 2011, começaram as primeiras iniciativas do Fiozera, com posts sobre modificações de projetos internacionais e as criações próprias do fundador. Logo foi a vez dos textos introdutórios com o objetivo de gerar mais literatura sobre o assunto no Brasil. “Tem muita gente habilidosa que pode usar uma bancada e poucos recursos para criar coisas interessantes”, destaca Biagioni.

O site funciona de forma colaborativa e no fórum do Fiozera qualquer pessoa pode se expressar, seja expondo suas ideias e descobertas ou também enviando soluções para melhorar projetos de terceiros. Existem posts que vão desde a criação de réplicas de Arcade (computador base dos antigos fliperamas), até a ‘hackeação’ de games portáteis.

Partindo dessa premissa, todos conseguiriam se capacitar para utilizar um Arduíno (plataforma de prototipagem eletrônica de hardware e de placa única) para algo muito além da superficialidade dos LEDs piscando. Será?

A arte do fazer e se conectar

Além de Limor Fried, outra grande inspiração para o engenheiro, é Richard Sennet, autor do livro ‘O Artíficie’. Na obra esgotada em várias livrarias do Brasil, Sennet discorre sobre a valorização do trabalho manual não industrializado e do processo de descoberta pessoal, enquanto se dá o ato de produzir com as próprias mãos.

O termo Fiozera é um neologismo e a palavra não existe no dicionário português. Na concepção de Biagioni, Fiozera se resume a um monte de fios. Mas além do próprio termo que destaca a natureza de alguns dos projetos contemplados pela comunidade, ao pensarmos em um emaranhado de fios, a imagem serve perfeitamente para ilustrar simbolicamente toda a conexão que essa e outras plataformas promovem em torno do conhecimento por afinidades.

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