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“Meet & Greet”: prazer, eu sou o arrependimento.


Brighton Music Hall

Meet and Greet é um termo que significa, exatamente, conhecer e cumprimentar. Isso mesmo, meus amiguinhos! Conhecer e cumprimentar seus ídolos. É muito comum, lá fora, você ir a um show e depois ficar para conhecer o pessoal da banda. Mas este aperto de mãos custa uma graninha e não rola com megabandas, como Pearl Jam. Geralmente, esse serviço é vendido à parte, no site de ingressos. A CCXP, por exemplo, tem seu Meet and Greet, que aqui se chama Fotos e Autógrafos e está à venda no site do evento. Se você curte mesmo seu ator, atriz ou músico do coração, compre: vale a pena. Ou, então, sofra as consequências. Falo com propriedade. Dói até hoje.

Scott Weiland and The Wildabouts
Scott Weiland 1967 – 2015

Em tempos de crise, uma das áreas mais afetadas é aquela região do nosso bolso destinada à cultura e ao entretenimento. Há uma grande tendência a retração do mercado pessoal de gastos com investimentos em diversão. Subitamente, passamos a evitar aplicações em papéis, como ingressos para shows de bandas preferidas, reservas para espetáculos de dança e aportes para aquisição de livros que tanto queremos devorar. Com a crise, a cultura é a primeira a sentir a fuga de ativos. Gastar com show já é pesado, com apertos de mão, então, nem se fala.


Em 2013, fui passar uma temporada fora do país. Fui para Framingham, uma little brazil perto de Boston. Na gringa, fiz o que a maioria das pessoas contam por aqui. De limpeza a entrega de pizza, o que faltou foi day off – peguei pesado. Eu precisava dar um tempo para voltar para o Brasil, pelo menos com algo que desse para segurar as pontas até as coisas esquentarem na economia. Em meio a pizzas e a faxinas, apareceu a oportunidade de assistir a um show do Scott Weiland, ex-vocalista do Stone Temple Pilots, banda de Seattle que surgiu no movimentos grunge, no início dos anos 90.

Eu vivi o grunge, tinha apenas 14 anos quando Kurt Cobain, do Nirvana, morreu. Ouvia, Pearl Jam, STP (Stone Temple Pilots) praticamente todos os dias. Eu não deixaria de ir a um show do Scott nunca! Não nesta vida! Tinha toda uma mística: eu estava nos Estados Unidos, era início do inverno, tudo cinza, o bar era uma tosqueira, ver um show de um cara tão grungera como o Scott era muito Seattle para mim, muito simbólico para um fã. E olha que eu nem estava em Seattle.

O show foi simplesmente fantástico, Scott, acompanhado dos Wildabouts, tocou até Big Bang Baby, um sucesso dos STP no auge da MTV no Brasil e solicitada, sem sucesso, por uma multidão que lotou o Circo Voador no primeiro show dos caras no Brasil em 2011. Foi demais!

No fim da apresentação, um produtor do show ofereceu o Meet and Greet por 250 dólares. ‘- Não faz isso! – Faz isso! – Não faz isso! – Faça isso!’ Meu anjo, consciente do peso dos 250 dólares, brigava feio com o capetinha vermelho que queria tirar uma foto com o cara. Travei um diálogo épico com minha consciência, afinal, eram 250 dólares para conhecer o vocalista de uma das bandas que mais influenciou a minha adolescência. Mas, poxa vida! Eu ainda precisava multiplicar aquele dinheiro por três! Não comprei! Saí de lá arrasado, mas aliviado. Eu não gastei aquela pequena grande quantia com uma coisa supérflua. Eu me contive! Eu consegui! Palmas pro idiota aqui.

Scott morreu nove meses depois, em 3 de dezembro de 2015, vítima de uma overdose de cocaína. Imagina o que aconteceu quando recebi a notícia? Choro! O capetinha voltou e me chamou de burro! Burro! E eu só não ouvi calado porque o choro não deixava.

Este ano, os STP voltam ao “Brasa” na companhia do Bush. Por aqui, não é comum rolar Meet and Greet, em lugar nenhum do mundo vai rolar mais Scott Weiland, e eu continuarei aqui rolando sobre as lamentações. R.I.P!

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Escrito por Big

Diariamente, comunicador. No restante do tempo não tenho nada a dizer.

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