in ,

Super Bowl LIII 2019: uma avaliação geral do intervalo comercial

O intervalo de 30 segundos custou para os anunciantes americanos, US$ 5.2 milhões cada inserção. Só por esse dado já é possível avaliar o cuidado e importância que se deu para o que foi inserido nesse espaço. Merece assim, um olhar mais cuidadoso.
Este ano não houve nada extremamente inovador. Nenhuma nova tendência apontada. Considerando a enorme revolução pela qual passa a publicidade, a avaliação que faço é a de que este não foi o ano de apontar tendências, mas da confirmação de tendências apontadas anos anteriores. Elas se solidificaram, ganharam concretude e neste ano, aparecem já não mais como tendência, mas como algo comum:
Fazer sentido na vida das pessoas

O nome disso é branding e o formato antigamente era de um vídeo institucional, mas de alguma forma, hoje é mais do que isso. Com a propaganda tradicional você pode até vender seu produto, mas não será capaz de construir uma marca forte, se não fizer algo maior, que deixe evidente a importância da marca no cotidiano das pessoas.
Ano passado Budweiser mostrou seu projeto que leva água potável para áreas que sofreram desastres naturais. Esse ano foi a vez de mostrar sua preocupação com o meio ambiente e o uso de energia sustentável.

Google deixou bem evidente a sua importância no cotidiano das pessoas:

 

Microsoft mostrou que seu Xbox pode atender as necessidades de crianças com deficiência física:

Kia usou seu espaço para lançar seu novo programa de bolsa escolar “Kia Great Unknowns” thegreatunknowns.org:

Washington Post foi ao intervalo comercial do Super Bowl pela primeira vez, e deixou uma mensagem bastante relevante sobre a importância do jornalismo para o acesso da população à informação. A democracia morre no escuro:

Estar presente nas questões sociaisPara participar do cotidiano das pessoas, conforme comentei acima, é preciso também participar das conversas e mostrar seu posicionamento em relação aos problemas e questões da sociedade.
A Audi falou sobre o uso de energia elétrica:

Toyota abordou o empoderamento feminino com a atleta Toni Harris.

Bumble, uma plataforma de relacionamento social, fez o mesmo que a Toyota, mas com a atleta Serena Williams:

Pampers falou de forma bem humorada sobre paternidade:

O branded content veio para ficarJá é fato: branded content foi o meio pela qual a publicidade encontrou para fugir dos formatos tradicionais de propaganda. E seu uso vem crescendo ano a ano. Nessa categoria, insiro também as campanhas que criam uma história com roteiro em que o produto não é o personagem principal; e também aquelas que contam histórias de pessoais reais e comuns.
Skittles é uma marca que tradicionalmente compra intervalos do Super Bowl. Este ano ela optou ficar de fora. Preferiu fazer um musical na Broadway, no mesmo dia do jogo. “Skittles the Musical” é um musical que justamente brinca com o incômodo da propaganda tradicional.

Burger King, num movimento de nostalgia, resgatou seu logo antigo e trouxe para os 45 segundos de seu intervalo, um trecho da video-performance original de Andy Warhol. Uma jogada de branded content sutil, audaciosa e inteligente:

Turkish Airlines lançou o curta “The Journey”, dirigido por Ridley Scott:

Verizon deu continuidade a uma campanha de homenagem aos médicos e bombeiros que atendem a acidentes.

Uma fase nostálgicaSe você reparar, no cinema, na televisão, nos memes da internet, nos produtos infantis enfim, em vários setores do entretenimento estamos vivendo uma espécie de resgate nostálgico de elementos culturais do passado, particularmente dos anos 80 e 90. Na publicidade não poderia ser diferente. As causas eu não sei explicar, mas talvez por vivermos um momento muito particular em que a angústia por conta de um futuro desconhecido acabe gerando uma certa nostalgia pelo passado. Essa angústia vem da crise econômica e política, mas também do avanço tão rápido da tecnologia que nos impede de prever como será daqui 10 anos.
Stella Artois aderiu a essa tendência à nostalgia e convidou os atores Jeff Bridges a Sarah Jessica Parker a interpretarem seus personagens icônicos dos filmes Big Lebowski e Sex And The City, respectivamente:

Doritos trouxe de volta Backstreet Boys e Lionel Richie:

Olay e Sarah Michelle Gellar de “Eu Seio que Vocês Fizeram no Verão Passado”:

A cultura da conexãoO pesquisador Henry Jenkins diz que não há sequer um produto de comunicação que não dependa hoje da propagação nas redes. O intervalo comercial do Super Bowl é um bom exemplo disso. Apesar da enorme audiência que a televisão pode oferecer, praticamente todas as campanhas são, de diferente maneiras, integradas com alguma ação realizada nas redes afinal, a repercussão espontânea é essencial para manutenção da propagabilidade. A maioria deles tiveram videos teasers lançados dias antes do jogo nas redes sociais. Além disso, muitos videos assinam com alguma hashtag, para estimular a conversação nas redes.

O humor nonsenseApesar de se tratar de uma característica comum na publicidade americana, tenho a impressão que nessa edição em particular o humor nonsense quando adotado, foi um recurso para estimular a propagação espontânea, conforme citei no tópico anterior.
Amazon brincou com as “falhas” da Alexa:

A marca de comida congelada Devour brincou com um dos temas mais comuns nas redes sociais:

Bubly é a nova marca de água com gás da Pepsi:

E pra encerrar, Pepsi, OK?

Antes que você vá embora:Se por acaso gosta de tecnologia, com certeza chamou sua atenção as lanternas luminosas que roubaram a cena durante a performace da música “She Will Be Loved” de Maroon 5, durante o show do intervalo.
Pois bem, as lanternas luminosas eram drones da Intel. Foram utilizados 150 drones no total e durante a música, eles formaram no céu as palavras “ONE” e “LOVE”.

Reportar

Updater

Escrito por Eric Messa

http://ecode.messa.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando…

0

Gostou do post?

84 points
Upvote Downvote