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SXSW: sucesso no divã – por que documentários e filmes de terror têm feito tanto sucesso?

Coincidências são caras demais para ditar as regras do mercado: nada que envolva dinheiro, sobretudo a grana de grandes produções cinematográficas, é obra do acaso. Friamente calculado, o alto investimento em documentários e os chamados “filmes de gênero”, como terror e suspense, foi uma estratégia bastante estudada por estúdios e produtoras hollywoodianas.

Nos últimos meses, tivemos o buzz do lançamento de longas como “A Quiet Place”, “Get Out” e “Heredity”, além do super bem-sucedido “Bird Box”, da Netflix. Da mesma forma, os documentários “Won’t You Be My Neighbor”, “RGB”e “Three Identical Stranger” superando todas as expectativas na categora.

O que o SXSW se propõe a fazer não é exatamente dimensionar o sucesso estrondoso dessas produções, mas entender porque isso se deu — vale lembrar que essas opções eram consideradas “nichadas” pela indústria cinematográfica e, portanto, projetos que teriam pouco interesse público.

Enquanto os participantes e convidados se debruçam a explorar questões como “haveria algum fator comum levando a esse interesse pop? Ou seria esse comportamento o ‘novo normal’?”, o estudioso Mathias Clasen talvez tenha um norte — e ele foi explicado bem direitinho neste TEDx:

Basicamente, Clasen defende a ideia de que essa “moda mórbida” está no quebra-cabeça da natureza humana: nossos mecanismos de defesa, que inclui aí o medo, era fundamental para a nossa sobrevivência em épocas de ameaças constantes, mas ao longo da evolução — e ninguém sabe exatamente o porquê –, homens e mulheres aprenderam a sentir prazer em situações em que o medo se manifesta em contextos e lugares seguros.

Para colocar tudo isso em perspectiva, o pesquisador dinamarquês conduziu uma pesquisa com mais de mil americanos, e descobriu que 54% deles concordavam com a seguinte frase: “eu geralmente gosto de enredos de terror”. Apenas 14% foram radicalmente contrários à afirmação anterior.

Os que se mostraram inclinados a filmes de terror e suspense alegaram que, muito mais que susto e medo, longas desta categoria proporcionam experimentar outros sentimentos na mesma narrativa, como confiança, alegria, antecipação e outros.

Independentemente do roteiro dessas produções de terror e de documentários, o sucesso e retorno desses trabalhos, pelo menos por enquanto, prometem “assustar” (no bom sentido!) quem apostou certo.

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Mentor

Escrito por Eloa Orazem

Sobreviveu ao retorno de Saturno, mas não o fez intacta: se (des)fez em pedaços ao longo do caminho, e agora tenta montar um quebra-cabeça pessoal que faça algum sentido. As dúvidas e as mudanças perdoam a carreira -- Eloá é jornalista há dez anos, e tem passagens por revistas, sites, televisão e rádio.

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