SXSW: a maconha, como negócio, é terreno fértil

Compartilhando a cor e o apelido – “verdinha” – dólar e maconha dividem hoje mais que essas superficialidades estéticas: ambos estão diretamente ligados, pois a medida que o negócio da cannabis se profissionaliza e deixa para trás certos preconceitos, altos investimentos de pequenos e grandes empresários “abraçam” o mercado.

Dada a legalização da erva em mais estados americanos (agora são 33) e a discussão avançada do tema em outros países, a indústria da marijuana chegou ao seu ápice em 2018, sendo avaliada em 10,4 bilhões de dólares, e empregando cerca de 250 mil pessoas.

Um case que deve ser colocado à luz para entender o real potencial deste mercado é o que aconteceu em Quebec, cidade canadense que autorizou o comércio da maconha e contabilizou, logo no primeiro dia da legalização, 42 mil transações — o que, diga-se de passagem, liquidou o estoque local da erva.

O desempenho diário desta indústria fez com que a gigante de bebidas alcóolicas Constellation Brand se interessasse por uma fatia do mercado, aportando 4 bilhões de dólares na produtora de cannabis canadense Canopy Growth.

Mais do que turbinar o setor privado, a legalização da maconha pode também ser benéfica para o estado: segundo estudo desenvolvido pelo NerdWallet, se todos os 50 estados americanos liberassem a droga, os Estados Unidos poderiam arrecadar mais de 3 bilhões de dólares em impostos – e essa margem poderia ser ainda maior, caso tivesse sua porcentagem aumentada, uma vez que um estudo garante que uma taxa de 50% não prejudicaria o lucro e a saúde da indústria.

Junto a essas variáveis econômicas, o mercado da cannabis também tem se diversificado quanto aos produtos que oferece: além da erva, óleos e comestíveis também são opções. Essa última, aliás, também conhecida como edibles, movimentou 150 milhões de dólares em um ano na Califórnia, Oregon e Colorado.

Embora parte desse sucesso tenha a ver, obviamente, com o uso recreacional da maconha, não se pode ignorar os benefícios médicos da erva. Consumidores idosos e fitness são os que mais apostam em produtos de cannabis sem o princípio alucinógeno, e isso abre um novo caminho para a bilionária indústria farmacêutica e de wellness.

Por todos esses motivos, as conversas sobre a maconha também estão no radar da SXSW, que já programou talks sobre o impacto da planta no cérebro, sobre o futuro deste mercado, sobre o perfil dos consumidores, sobre as novas tendências nada óbvias da indústria e muito mais.

Dinheiro pode até não dar em árvore, mas pode “brotar” com a cannabis business.

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Written by Eloa Orazem

Sobreviveu ao retorno de Saturno, mas não o fez intacta: se (des)fez em pedaços ao longo do caminho, e agora tenta montar um quebra-cabeça pessoal que faça algum sentido. As dúvidas e as mudanças perdoam a carreira -- Eloá é jornalista há dez anos, e tem passagens por revistas, sites, televisão e rádio.

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