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SXSW: o futuro do trabalho

A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. A máxima que se aplica para quase todas as situações, também é válida para a tecnologia — não apenas no que diz respeito ao seu uso diário, mas sobretudo à sua relação com o trabalho.

Enquanto o avanço da inteligência artificial deixa muitas pessoas inseguras quanto a sua posição profissional, especialistas ponderam que, de fato, certos cargos e tarefas devem ser suprimidos por robôs, mas outras tantas posições surgiram ao longo do processo.

O relatório 2018 do Fórum Econômico Mundial aponta que 75 milhões de empregos desaparecerão até 2022, mas no mesmo período, 133 milhões de outras oportunidades profissionais serão criadas.

Não é preciso ser íntimo dos números para entender que essa equação é positiva, com um saldo de 58 milhões de novos trabalhos. Isso não significa, contudo, que só temos o que comemorar — é preciso reavaliar a qualificação e treinamento das equipes frente aos avanços tecnológicos, uma conta que vai recair para pessoas e empresas, invariavelmente.

Ainda de acordo com o relatório do Fórum, 54% de toda força de trabalho vai precisar de um treinamento “significativo” para descobrir e lapidar novos talentos e habilidades. Desse montante, 35% vai necessitar de seis meses de treinamento; 9% de até 12 meses de preparação; e 10% de mais de um ano para se atualizar por completo. Os especialistas cravaram ali que, até 2022, todo mundo vai precisar de 101 dias extras de aprendizado.

O problema é que 1 em cada 4 empresas se mostraram pessimistas ou indecisas em relação a investir no treinamento de seus funcionários. Ao mesmo tempo, dois terços das empresas afirmaram que esperam que seus colaboradores se adaptem aos novos tempos por conta própria. E pouco mais da metade das companhias consultadas demonstraram interesse em contratar equipe temporária e freelancers de acordo com tarefas específicas.

Ainda que parte dessa realidade possa soar apocalíptica, é importante lembrar que a história já passou por processos semelhantes: entre 1940 e 2010, por exemplo, é estimado que 8 milhões de trabalhadores rurais e 7 milhões de metalúrgicos perderam seus trabalhos por conta da automação e, ainda assim, o emprego como conhecemos hoje não entrou em extinção.

Mudanças são inevitáveis, mas há como se preparar para elas — e uma das maneiras de antever o futuro é conferir os painéis que o SXSW separou exclusivamente para esses temas que tratam de trabalho na era da inteligência artificial.

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Escrito por Eloa Orazem

Sobreviveu ao retorno de Saturno, mas não o fez intacta: se (des)fez em pedaços ao longo do caminho, e agora tenta montar um quebra-cabeça pessoal que faça algum sentido. As dúvidas e as mudanças perdoam a carreira -- Eloá é jornalista há dez anos, e tem passagens por revistas, sites, televisão e rádio.

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