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SXSW: igualdade e inclusão – as novas regras do jogo

Mulheres que andam a frente de seu tempo ainda são penalizadas – literalmente. Na Bélgica, a ciclista Nicole Hanselmann liderava com folga uma competição contra suas colegas quando foi obrigada a fazer uma pausa de cerca de cinco minutos. A razão? Ela estava próxima demais do pelotão masculino, cuja largada aconteceu 10 minutos antes da disputa feminina.

“Eu estava num bom ritmo, e foi estranha aquela interrupção. Acabou com a minha performance”, disse a atleta a jornais locais, explicando ainda sua posição final na corrida: 74o lugar.

A cena que aconteceu faz alguns dias num dos países mais igualitários do mundo é um retrato fiel dos desafios e das diferenças impostas às mulheres; e prova que o esporte ainda tem muito a fazer para encontrar a igualdade entre gêneros.

Tempos atrás, o destempero de Serena Williams também foi alvo de críticas, e a tenista reclamou – com razão – de que o nervosismo dentro de quadro ou campo é permitido apenas aos homens, que já foram flagrados “perdendo a cabeça” diversas vezes quando sob a pressão de um jogo, mas nunca sofreram as mesmas cobranças que ela sofria ali, diante da discussão acalorada com um juiz.

Casos como esses mostram o atraso que ainda paira sobre os esportes de alto rendimento, e é preciso discutir a questão de maneira profunda para encontrar o caminho da evolução. É por isso que o SXSW deste ano separou um painel inteiro para o tema: Hanif Fazal, do Centro de Igualdade e Inclusão, e Christa Stout, do Trail Blazers de Portland, conversam sobre os esforços que estão sendo e que precisam ser feitos para que os jogos sejam mais democráticos e acessíveis a todos.

Também faz parte dessa discussão urgente o significado de adotar uma postura “neutra” diante do cenário mundial – um tópico indispensável para entender a politização do esporte, que ficou evidente em 2016, depois do caso do quaterback Colin Kaepernick, que passou a ajoelhar durante a execução do hino nacional americano, como uma forma de protesto contra a brutalidade racial que ainda acontece nos EUA.

Essa prática do jogador dividiu a sociedade americana e fez com que Kaepernick, um dos grandes nomes da NFL, perdesse grandes contratos – uma penalização “velada” que ainda paira sobre o atleta.

Outros jogadores, amadores e profissionais, passaram a repetir o gesto e Kaepernick, que inspirou até artistas: Rihanna recusou o convite para se apresentar no Super Bowl em razão disso.

Independentemente da modalidade, os esportes são reflexo direto da sociedade, e é preciso (re)discutir as regras do jogo, para que todo mundo compita de igual para igual.

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Escrito por Eloa Orazem

Sobreviveu ao retorno de Saturno, mas não o fez intacta: se (des)fez em pedaços ao longo do caminho, e agora tenta montar um quebra-cabeça pessoal que faça algum sentido. As dúvidas e as mudanças perdoam a carreira -- Eloá é jornalista há dez anos, e tem passagens por revistas, sites, televisão e rádio.

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