SXSW

Cannabusiness: um mercado de 9.5 bilhões de dólares (legal)

Pela primeira vez em 32 anos de festival o SXSW acrescentou uma Track chamada CANNABUSINESS, com curadoria que contemplou desde CEOS da indústria cannabica até mesmo pesquisadores e historiadores. Cannabis e startups, data, wellness, foods… todos os tipos de verticais foram abordados. 

Hemptoday

Cannabis foi pauta não somente dentro do Convention Center, mas fora também, com ativações de marcas e venda de produtos que contêm CBD: de comida para peto, cafés até mesmo cigarros com CBD. 

Envelopada com um viés medicinal (procure o seu médico!) e prometendo curar de câncer a acne no rosto, a indústria começa um trabalho de desmistificar e trazer repertório para o consumidor – vê-se um movimento de Market Development, como se as marcas estivessem construindo uma categoria e não o seu próprio branding. Awareness sobre o uso vêm antes de taglines e logo.  Adam Bierman, fundador da MedMen o maior varejista de cannabis dos Estados Unidos e palestrante do festival afirmou que 71% do consumo em suas lojas é com o objetivo wellness. 

Lobby, Viés e Dados: nunca houve um argumento científico para criminalização da maconha 

No começo dos anos 30 o cânhamo disputava com o algodão na indústria têxtil como opção para fabricação de roupas. Famílias quatrocentonas ricas da costa leste do US, como os Rockfeller e DuPont por exemplo, começaram um movimento anti-cannabico com um interesse comercial por trás.

Por anos a maconha permaneceu criminalizada, até que em 1996 o estado da Califórnia, nos EUA, legalizou seu uso para fins medicinais. No final de 2012, dois estados americanos, Washington e Colorado, decidiram legalizar o uso da droga para fins recreativos.

Contudo, durante todos esses anos as pesquisas foram interrompidas e só começaram a ser retomadas agora, num período que experts cannabicos estão chamados de Renaissance da Cannabis.

Dr. Jack E. Henningfield, do National Institute on Drug Abuse (NIDA), classificou a dependência relativa de seis substâncias diferentes (cannabis, cafeínacocaínaálcoolheroína e nicotina) durante um estudo. A cannabis foi considerada a menos viciante, sendo a cafeína a segunda menos viciante.

O nosso corpo produz endo-canabinoides 

Outro fato que eu não sabia e descobri assistindo às palestras foi que nosso corpo humano produz seus próprios canabinoides “endógenos”. Logo, o consumo de CBD e outros canabinoides pode der visto como uma suplementação. 


O chamado sistema endocanabinoide consiste dos receptores CB1, localizados no sistema nervoso, em tecidos conectivos, gônadas, glândulas e órgãos; e receptores CB2, encontrados principalmente no sistema imunológico e presentes também no baço, fígado, coração, rins, ossos, vasos sanguíneos, células linfáticas e órgãos reprodutores.

Esses receptores podem ser estimulados por componentes chamados endocanabinoides, produzidos naturalmente pelo corpo, como a anandamida (ananda em sânscrito quer dizer alegria). 

E o business? Show me the money!

Hoje, os EUA são o epicentro do mercado legal de cannabis e parece que vão manter essa posição no futuro. Em 2017, o comércio legal mundial de maconha cresceu 37% e faturou US $ 9,5 bilhões. Em US $ 8,5 bilhões, os EUA responderam por 90%. Em US $ 0,6 bilhão, a participação do Canadá em 2017 foi de 6%. O resto do mundo combinou os 4% restantes.

Em 2022, prevê-se que a receita legal de cannabis no mercado dos EUA atinja US $ 23,4 bilhões (73% do mercado).

Por se tratar de um desenvolvimento de mercado, as marcas estão investindo principalmente em desmistificar alguns preconceitos e em trazer repertório para o consumidor final.

Do ponto de vista de marketing, os códigos se aproximam mais da indústria farmacêutica do que uma capa de cd do Bob Marley: consulte seu médico, ofereça para seu cachorro, trate sua pele… a indústria se desenvolve de uma forma multi-categoria, mais sofisticada e embalada de wellness. 

Após todas essas palestras eu revi diversos conceitos e preconceitos que eu tinha e estou aberta ao diálogo para conhecer mais sobre o tema e estudar sobre – existe um véu de ignorância e estigma social sobre Cannabis mas que a partir do momento que começamos a entender de maneira racional e lógica como isso foi construído, começamos a repensar o mercado e nosso comportamento como um todo. 

Como empreendedora e atuante na área de inovação, além de ver alguns fundos com a tese cannabica (como a aceleradora Cannopy de Boulder, Colorado) vejo como a área de Higiene pessoal e cosméticos poderia incluir CBD e outros ativos em suas formulações, Foods, Drinks, têxtil, plástico.. as possibilidades são infinitas – só precisamos estar abertos ao diálogo sem viesse emocionais ou preconceituosos ao tratar sobre o tema. 

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