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KISSES De Anitta Marca Definitivamente Sua Identidade

Se existisse um Grammy de melhor marca, com certeza Anitta levaria o seu.

Se existisse um Grammy de melhor marca, com certeza Anitta levaria o seu. A cantora desde a escolha do seu nome tem como foco despertar a sensualidade. E, no carnaval de 2019, ela exaltou suas referências.

Foram fantasias como a de Gretchen, Tiazinha e a Feiticeira. Personagens que carregam em si, o simbólico sensual na mente dos brasileiros da década 80/90 e 2000. Pode parecer inocente a escolha dessas fantasias para o carnaval. Mas como qualquer marca, Anitta também precisou se reafirmar no mercado com sua mensagem.

Após o Lemonade, sexto álbum de estúdio de Beyoncé – sendo o segundo álbum visual da cantora – lançado em 2016 e aclamado por sua mensagem sociopolítica. Parecia certeira a aposta nesta tendência. Anitta começa a trazer para seu discurso mensagens mais políticas.

Em 2017 encabeça o single Sua Cara, do trio americano Major Lazer, em parceria com a cantora e drag queen Pabllo Vittar. Selando assim, sua aproximação com o público LGBT.

Ainda em 2017 lança o que viria a ser seu primeiro passo consistente a carreira internacional. Check Mate: um single, com clipe, por mês. O projeto foi encerrado em dezembro do mesmo ano com Vai Malandra, parceria com o MC Zaac e o rapper americano Maejor. O single marcaria a volta da cantora ao gênero que a projetou no início, marcando, também, seu diferencial internacionalmente.

O clipe ganhou repercussão  por toda simbologia política, desde a favela como cenário, até a placa do mototáxi, com número 1256, mesmo número  do projeto de lei que tentava criminalizar o funk.

A cantora entrou em 2018 com uma série de parcerias com foco em artistas nacionais. Caminhou entre gêneros como forró, sertanejo e MPB. Como sempre, nada é por acaso na carreira de Anitta. O mercado americano é marcado por ditar o que é reconhecido internacionalmente, o próprio mercado britânico se rende a isto. E é da Inglaterra que se tem a maior escola para criação de artistas internacionais não americanos.

Artistas como Jessie J e The Wanted tiveram seu auge dentro da Inglaterra, mas após levarem seu foco exclusivamente para os EUA, perderam seu público nacional. Anitta, com o Brasil, deixa a imagem de cantora carioca de lado, mostrando sua versatilidade nos mais diversos gêneros para se tornar a cantora brasileira.

Mas referências podem não adaptarem-se tão bem quando aplicadas em um cenário diferente. 2018 foi marcado pela polarização política no Brasil, e Anitta foi cobrada a se posicionar politicamente de acordo com o discurso usado por ela em 2017.

Como qualquer marca, Anitta precisou voltar às suas raízes, agora visando reafirmar sua imagem no Brasil, com sua estratégia internacional, no final do ano passado fomos expostos ao EP Solo, com três músicas, três idiomas e três clipes que apelam para uma sensualidade mais sofisticada.

Já em 2019, Anitta comanda um bloco fantasiada de Beyoncé, mas dessa vez procura se distanciar do referencial do Lemonade, Anitta recorre a Beyoncé do Dangerously in Love, onde a cantora americana se apresenta sensualmente no clipe de Crazy in Love. Para além de suas fantasias, Anitta também recorreu a algo que, de certa forma, impulsionou sua carreira logo no início: o interesse do público em sua vida amorosa, chamando a atenção do noticiário com imagens de seus beijos com Neymar e Gabriel Medina durante o carnaval.

Toda essa construção desemboca em seu primeiro álbum visual, o Kisses, lançado na última sexta, 5 de abril. Trazendo três idiomas; 10 músicas; 10 clipes  – e aqui, o que chama mais atenção. – 10 Anittas.

Essa premissa para além de unificar o álbum conceitualmente, também serve, quase de maneira esquizofrênica, para justificar algumas inconsistências em seu discurso ao longo da carreira.

Revisitando a dramaturgia, de onde Larissa escolhe o nome Anitta, inspirada pelo arquétipo de Cintia em A Presença de Anita. Uma personagem para além de verossímil, precisa ser conflitante para gerar empatia. E Kisses se propõe a ser o retrato desse conflito com a mistura de ritmos e parcerias, afinal, quem mais conseguiria unir Snoop Dog e Caetano num único álbum?

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