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Devaneios de um jovem anos 10

Uma reflexão sobre gerações

Esses dias ouvi o lançamento da música Pegando leve, da banda O Terno – se quiser, bota pra tocar ai embaixo 😉 – e a letra da música despertou um desejo de escrever sobre o tema “J. O. V. E. M.”

O Terno / Pegando Leve

Letra inspirou o post

Sim eu sei, mais um texto sobre o que significa ser jovem, sobre as mazelas e maravilhas de se ter 20 e poucos anos e viver na internet, mas o que eu quero mostrar aqui – espero que eu consiga, afinal é o primeiro texto que escrevo para o grandioso, majestoso, criterioso e “mal conheço mas considero pacas” Update or Die – é uma reflexão sobre gerações.

Veja por exemplo a realidade de alguns pais (os meus no caso) : vieram de famílias pobres, com muitos filhos e poucas oportunidades. A minha família veio das terras longínquas do Japão, na promessa de um futuro melhor aqui no Brasil, chegaram e foram para as fazendas trabalhar cultivando a terra fértil brasileira. Anos de luta, suor e lágrimas ou dias de luta, dias de luta de novo e as vezes de glória.

Meu avô (ditian para os nissei, sansei e por ai-sei que se encontram lendo esse texto) foi fazendeiro, comerciante e até se aposentar por conta de um derrame – ele está bem agora – foi um excelente acupunturista.

Aí veio meu pai, o primeiro da geração a nascer no Brasilzão. Ele só aprendeu a falar pt-br aos 4 e poucos anos(imagina o quanto foi difícil pra ele encontrar amiguinhos para brincar). Os anos se passaram e ele virou um adolescente rebelde e decidiu que queria ser piloto de jato (carai que foda!), mas a vida não seguiu dessa maneira.

Ele foi office boy do meu avô na sua loja, trabalhou como motorista, padeiro, foi para o Japão e trabalhou numa companhia telefônica instalando linhas telefônicas por todo território japonês, conheceu minha mãe, voltou para o Brasil (não nessa ordem específica), eu nasci , foi viver de música (meu pai é um baterista foda) e depois de muito lutar contra, virou acupunturista. Que nem o pai dele.

Se você leu até aqui, primeiramente, obrigado! Segundamente, você talvez esteja pensando “mano que vidas difíceis que eles tiveram!” ou “caraca, meu pai teve uma vida parecida!”.

Segura esse pensamento!

Agora deixa eu apresentar a minha realidade, e depois prometo que eu concluo esse texto (eu te avisei ali em cima que isso aqui era um devaneio, “bare with me dude!”)

Eu não tive que lavrar a terra para viver dela, eu tinha um prato de comida todo dia me esperando. Eu passei por todos os ensinos e me formei em 2 faculdades (carai que foda!), eu fiz intercâmbio, eu estudei inglês, eu fiz natação, eu fiz judô… um típico menino coxinha.

E não que minha família tenha rios de dinheiro, longe disso, mas eu tive tudo que eu queria e até o que eu não fazia questão de ter, porque meus pais fizeram questão que eu tivesse, e eu entendo o motivo. Todo pai quer dar ao filho a vida que ele não teve e principalmente, o proteger de todo perigo e o caos – entendedores entenderão – , mas a real é que muitas vezes esse excesso de cuidado pode criar uma série de muros que escondem a realidade da vida, só que, citando as sábias palavras do mestre:

“Ninguém bate mais forte que a vida.”

– Rocky Balboa

Seja você coxinha, mortadela ou vegano, a vida vai dar uns tapas bem fortes em você, o problema é que jovens que nem eu, e não são poucos, estão tendo crises de falta de identidade, motivação, ansiedade, estresse e depressão, o motivo disso, eu acredito, é essa falta de conexão com a tal vida.

Nossos pais e avós não tiveram um muro que os protegia, eles tinham que botar a cara pra bater todo fucking dia, era tudo ou nada, literalmente!

Mas pare pra pensar em tudo o que eles fizeram.

O meu pai e meu avô moraram em dois países completamente diferentes, falam dois idiomas fluentemente, foram empreendedores, artistas e homens da terra, batalharam e deram aos seus filhos vidas melhores que as deles. Ao meu ver essas são histórias incríveis e dignas de muita admiração.

E foram essas dificuldades que os fizeram ser o que são, nos momentos mais difíceis da vida eles acharam propósito no que estavam fazendo.

Talvez por falta de dificuldades da vida real acredito que muitos jovens de hoje se sintam alheios a mesma, fora de sintonia, nada é emocionante suficiente, nada é interessante suficiente, nada dá vontade de mergulhar de cabeça. Queremos a vida boa, a vida fácil, talvez porque nós tivemos a vida boa e fácil até então, e de repente, viramos adultos, com responsabilidades, cobranças e contas pra pagar.

Isso nos fez indecisos e medrosos de tomar decisões, nos deixando desmotivados, estressados e depressivos, pensando no que fazer mas sem fazer nada de fato.

Eu não culpo meus pais, eu amo eles demais, eles fizeram e fazem de tudo por mim. Esse texto é mais um desabafo e como falei, uma reflexão, de repente se pararmos para conhecer e entender o que significa viver a vida, se machucar, perder, entender que vamos nos foder várias vezes e principalmente, nos permitir errar, valorizemos mais as pequenas vitórias, nos conectaremos mais com o que nos cerca, deixaremos o instagram quieto no seu canto mais vezes e veremos que a vida tem sim momentos “carai que foda”.

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Expert

Escrito por Daniel Fukuda

"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador." - Clarice Linspector

Faço dessas palavras sábias minhas, meu desejo é compartilhar o que percebo do mundo, sempre com humor(apesar desse texto não ser nem um pouco engraçado) e paradas legais.

2 Comments

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  1. Fala Diego, tudo bem?

    Cara muito obrigado! Fico feliz de você ter gostado e ainda mais que você fez um comentário muito interessante, realmente os jovens de hoje têm perspectivas melhores do que nossos antepassados e talvez naquela época as coisas fossem sim mais simples e diretas ao ponto, mas como você bem falou, não excluem os sentimentos que todos temos dentro de nós… faz parte hehe

    Abraço!

  2. Oi Daniel. Muito bacana seu texto mas permita-me discordar em um ponto. A respeito da desconexão de nós jovens com as dificuldades do mundo, que nos deixam “desmotivados, estressados e depressivos” tenho que pontuar que é muito provável que nossos antepassados também se sentissem dessa forma, mas o mundo era um pouco mais simples do que é hoje. O lance era nascer, crescer, trabalhar, se multiplicar e morrer. Muitos deles literalmente seguiam esse roteiro, sem chances de transcender às exigências da sociedade de sua época. Muitos outros deveriam se sentir “desmotivados, estressados e depressivos” por não poderem fugir desse roteiro. No fim das contas estamos todos tentando tirar a mesma limonada desse limão azedo que é a vida. Uns espremendo só casca, outros com limão siciliano orgânico. Mas no fim, o drama existencial é semelhante. Espero ter entendido direito o que você quis dizer. Enfim, obrigado pela reflexão.

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