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A floresta escura da internet

O autor Liu Cixin apresentou ao mundo seu conceito de Floresta escura na trilogia sci-fi “The Three Body Problem” e desde então ela vem sendo extrapolada para assuntos fora do livro. 

A teoria nos convida a imaginar uma floresta escura a noite, mortalmente quieta. Isso pode levar alguém a assumir que a floresta está sem vida, quando na verdade é o contrário. Ela está quieta pois a noite é o período em que os predadores caçam, então para sobreviver, os animais se calam. 

Esse modelo de sobrevivência também está sendo visto na internet, que cada vez mais se assemelha a uma floresta escura. 

Em resposta aos anúncios, trolls, novidades constantes e outros comportamentos “agressivos”, estamos cada vez mais saindo do lugar comum da internet e nos refugiando em canais restritos, como grupos de Facebook, comunidades de WhatsApp, newsletters, Instagram fechados, podcasts, entre outros.

São modelos de comunicação na internet que possuem um espaço amigável e permissivo do que o restante da internet. Essas comunidades possuem um ambiente mais parecido com o mundo real do que o online. 

Cada vez mais pessoas estão trocando os meios comuns de comunicação na internet por grupos dentro da Floresta Escura, evitando assim opiniões contrárias ou conteúdo indesejado. O problema é que se excluir da conversa principal não tira a força desses canais e nem o número de pessoas que eles conseguem impactar. 

Ao sair dos canais de debate, esses usuários estão deixando os meios cada vez mais homogêneos, lugares sem troca de ideias opostas, o que pode tornar a internet um lugar perigoso em alguns anos. Um dos pontos principais levantados é a capacidade de grupos políticos influenciarem o público através da internet sem oposição para contestar. 

A debandada de usuários para comunidades fechadas, no entanto, é um alerta para o modo como a internet opera atualmente, e aponta o caminho para as melhorias que devem ser feitas. Mais privacidade, propagandas menos invasivas e tolerância entre os usuários seriam bons primeiros passos. 

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Escrito por Amanda Dumont

Jornalista freelancer apaixonada por música, séries e viagens.

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