in

De psicodélicos à inteligência artificial

Como tudo está conectado e quais serão os desafios para os novos “anos 20”?

A 7ª edição do Festival Path ficou marcada pelas palavras: mudança e adaptação. Dois conceitos que existem em simbiose: toda mudança exige uma adaptação. O tema percorreu o evento inteiro e em uma das últimas palestras do dia o questionamento voltou-se para 2020. Em paralelo com “os anos loucos” o que estamos levando para os próximos anos 20?

Já inicio com uma das máximas ouvida no evento: psicodélicos e maconha vão revolucionar a medicina do século XVI. Muito se ouve sobre mindfulness hoje em dia, o estado mental de atenção plena no presente. Mas, o oposto ao termo é tão interessante quanto. Trata-se sobre o “default mode network”, ou DFM, uma rede neural que fica ativa no cérebro quando estamos em estado de repouso. Apesar de ser responsável pelo desenvolvimento de muitas funções importantes como autopercepção e introspecção, também está relacionada à pensamentos negativos e depressivos e a refletir muito sobre o passado e o futuro ou, em outras palavras, “ficar o tempo todo ruminando”. Estudos sugerem que a psilocibina (princípio ativo contido nos cogumelos alucinógenos) ao ser administrada em um ambiente terapêutico e em doses certas, apresenta um grande potencial de tratamento da depressão, ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo, uma vez que age reduzindo justamente a atividade do DFM, causando um aumento de interconectividade entre todas as redes. Se antigamente olhávamos para fora para procurar respostas, o próximo avanço na ciência está em olhar para dentro.

Outro assunto que inspira debates é a inteligência artificial, big data e robôs. Até onde a extração de dados é invasiva e qual o papel do ser humano no meio de tudo isso?

É fato que essas ferramentas já são realidade e substituirão muitas das profissões atuais. Para tentar sanar essa angústia, o site: https://willrobotstakemyjob.com mostra a porcentagem de chance da sua profissão ser automatizada. Uma olhada rápida e já é possível tirar algumas conclusões: profissões que dependam de muito esforço físico, repetitivo ou até burocrático são as que provavelmente desaparecerão. Enquanto profissões que dependam de criatividade, feeling e habilidades socioemocionais não só estão à salvo, como deverão ganhar novos formatos.

Ranking dos empregos com menos e mais chances de serem automatizados

Cientistas do MIT desenvolveram uma espécie de roteador wireless que detecta sinais vitais e emoções. As aplicações para isso são imensas. Porém, no final do dia, ninguém quer receber um diagnóstico através de uma máquina. Invés de apresentar uma ameaça à profissão do médico, a inteligência artificial pode ser vista como uma ferramenta empoderadora para o mesmo.

E não somente nós precisamos nos adaptar às tecnologias, mas, as máquinas também precisam se adaptar às diferentes sociedades. A implementação de carros 100% autônomos enfrenta uma série de desafios culturais, éticos e sociais, por exemplo. Às vezes ao solucionar um problema, outros vários problemas são criados. Entrando em micromobilidade, temos o surgimento dos patinetes elétricos como solução ao trânsito. Até que todo mundo começou a levar tombos. Nesses novos cenários, qual é o nível de responsabilidade das marcas? É preciso questionar com inteligência.

Continuando o paralelo com os anos 20, nesses 100 anos vimos uma evolução absurda na maneira de consumir conteúdo. Passamos pelo surgimento dos primeiros filmes falados, à invenção do fax que permitia que um mesmo documento brotasse magicamente em uma sala do outro lugar do país e chegamos na nossa condição atual, onde nos encontramos afogados no meio de tanta informação. Como conseguir atenção? Estaria o futuro da comunicação fadado ao uso de gifs e stickers? (Eu pessoalmente gosto da ideia). O fato é que boas histórias continuam sendo a resposta. E, dessa forma, envolvem a audiência e causam identificação. Tudo sustentado por muita transparência e responsabilidade. O desafio é adaptar a maneira de traduzir essas histórias.

Diante de tantos conceitos, a mensagem que fica é a de aprendermos a reagir às mudanças e de nos mantermos sensíveis e vulneráveis. Juntos somos fortes. 

Reportar

Advocate

Escrito por Nicole Vitto Gomes

Ilustradora freelancer, estudante de marketing e comunicação e curiosa. Apaixonada por encontrar histórias incríveis e por panqueca de banana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando…

0

Gostou do post?

83 points
Upvote Downvote