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Cannes Lions 2019: mais cuidado com o desenvolvimento infantil é temática comum entre finalistas do Glass

Campanhas destacam a necessidade de representatividade, reconhecimento e de uma masculinidade menos tóxica enquanto ainda se é pequeno

A categoria Glass do Cannes Lions se esmera em premiar campanhas que celebram aquele tipo de criatividade sagaz, que é capaz de transformar culturas. Parece até ousado dar esse poder todo à publicidade, mas sempre acreditei que uma boa persuasão é o primeiro passo para uma mudança real. 

A própria categoria já traz um viés: se diz interessada em campanhas que estejam em envolvidas no combate à desigualdade de gêneros, injustiça ou desequilíbrio social, mas algo me chamou muito a atenção entre os 23 finalistas da categoria: um maior cuidado com o desenvolvimento infantil foi a temática de diversos deles. 

Em Lessons in Herstory, a Goodby Silverstein & Partners criou um app capaz de reconhecer personalidades históricas em livros didáticos tradicionais e mostrar na tela do celular quem eram as mulheres que também fizeram diferença naquele período, ajudando as meninas em idade escolar a se sentirem mais representadas também nos livros de história.

A Dove, com seu projeto #ShowUS, realizado pela Publicis Sapient NY, também apostou na representatividade em suas campanhas, trazendo mulheres das mais diferentes cores, formas e estilos, com o intuito de demonstrar para as meninas que elas podem chegar onde quiserem, sendo do jeito que são. 

Também ficou latente um clamor por mais compreensão e afeto dos pais com seus filhos, especialmente com as crianças transgênero. Meu destaque vai para o emocionante Meu Primeiro Sutiã, finalista brasileiro realizado pela Madre Mia Filmes, que funciona como uma releitura contemporânea da conhecida campanha do primeiro Valisère, mostrando o momento em que um pai decide aceitar a filha transgênero e dar a ela o seu primeiro sutiã.

Também ficou claro que os cuidados com a infância precisam ser redobrados não só com as meninas ou as crianças transgênero, mas também com os meninos, que sofrem com o peso que nós, como sociedade, colocamos sobre eles. A Carat NY expandiu o conceito do slogan “O melhor para o homem” da Gilette para provocar sobre os impactos negativos da pressão que se impõe para que os meninos não chorem, não se expressem emocionalmente ou que não sejam repreendidos por comportamentos mais violentos.

Para arrematar, a Bensimon Byrne, de Toronto, também aparece entre as finalistas do Glass, com a campanha Boys Don’t Cry, que argumenta ser preocupante o efeito da supressão da emoção e o incentivo a comportamentos “fortes” ou “corajosos” durante a infância dos meninos.

Fica a minha esperança para que as campanhas possam mesmo impactar as pessoas e fomentar novos jeitos de pensar como estamos criando nossas crianças.

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Mentor

Escrito por Jacqueline Lafloufa

Jornalista freelancer há 10+ anos, já escreveu e editou para grandes publicações brasileiras (Galileu, UOL, B9, Tecnoblog). Também transforma suas pesquisas jornalísticas em apresentações públicas – como palestras, oficinas e debates. Eventualmente atua como ghostwriter, com experiência em produção de conteúdo. Em oportunidades especiais, faz tradução literária do inglês para o português. É pós-graduada em comunicação digital (USP) e jornalismo científico (Unicamp), e bacharel em estudos literários.

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