Cinema

O Homem que Matou Dom Quixote: uma das produções mais conturbadas da história do cinema

Nem o diretor Terry Gilliam sabe porque insistiu tanto tempo no projeto…

“O Homem que Matou Dom Quixote” é uma das produções mais conturbadas da história do cinema. A obra do diretor levou, simplesmente, quase 30 anos para ser concluída – no caminho, foram dez tentativas de realização do projeto e uma série de problemas envolvidos no processo. Mas nada que salte aos olhos quando avaliamos o produto final. 

Na trama, Toby Grisoni (Adam Driver) é um diretor de cinema desiludido que se vê tragado a um labirinto de situações em que fantasia e realidade se misturam. Ali, um sapateiro espanhol, que pensa ser Dom Quixote, o confunde com o Sancho Pança.

Tudo isso acontece sob as lentes de Gilliam que tem, entre suas principais características, um claro flerte com a comédia do absurdo e um quê de surrealismo. O elenco conta ainda com Jonathan Pryce como Dom Quixote. 

À revista Trip, o diretor revelou não saber exatamente o porquê de ter insistido no projeto por tanto tempo. “O que acontece é que, quando decido fazer algo, aquilo se torna uma obsessão, e a ideia não sai da minha cabeça enquanto não for concretizada”, explicou. Gilliam ainda contou que, depois de 15 ou 20 anos, não tinha mais como voltar atrás e que “uma hora ou outra o filme acabaria ganhando forma”

Um dos principais – e recorrentes – problemas que apareceram durante o desenvolvimento do longa está relacionado ao dinheiro. Ao longo do processo, muitos produtores atuavam no projeto e quando acabava o orçamento deixavam a equipe. Aí, a produção ficava parada até que outro produtor aparecesse trazendo mais grana. E assim aconteceu sucessivamente… 

Engana-se quem pensa que o diretor se envolveu na história por amor ao livro de Cervantes. Ele, na verdade, só foi ler a obra na íntegra quando já tinha captado a verba para a produção do longa – e aí, o que mais chamou sua atenção foi o fato de que Quixote e Sancho Pança não podem ser olhados de forma isolada, porque juntos mimetizam dois lados da humanidade, a loucura e a tragédia.

Para além dos elementos já presentes no livro, Gilliam trouxe ainda para a produção críticas à própria indústria do cinema – em especial no que diz respeito às pessoas que “traem seu talento” em nome do dinheiro. Nesse sentido, ele se refere aos agentes e estúdios que levam os artistas a criarem coisas pensando exclusivamente na indústria – o que, claro, pode dar bastante dinheiro, mas muitas vezes também causa a perda da essência artística.

Vale ler a entrevista completa da Trip com o diretor, aqui.  

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