Amir Zaki fotografa pistas de skate sem skatistas

Fotos de skatistas fazendo manobras impressionantes são excelentes, mas não são novidade. Quem acompanha atletas nas redes sociais, ou ainda costuma assistir a alguns dos canais de esporte da TV a cabo, com certeza já se deparou com diversos registros desse tipo. O diferencial do trabalho do fotógrafo Amir Zaki dentro desse universo está no foco – que deixa de ser em cima dos skatistas e passa a ser nos próprios parques. 

Para a Wired, Zaki declarou: “Há toda uma história da fotografia de skate, mas é tudo focado no artista. Existem muitos fotógrafos que fazem isso e são muito bons. Mas eu queria fazer algo diferente”. 

Para executar o trabalho do jeito que queria, Zaki se planejou para chegar aos parques de skate bem cedo, quando o sol ainda estava nascendo e, por isso, a luz parecia perfeita para a estética visual que ele queria alcançar. “Skatistas não acordam cedo.“, brinca. Então, ele se posicionava bem no meio do bowl dos parques.

Seus equipamentos: uma câmera DSLR e um tripé motorizado GigaPan. As imagens obtidas são de altíssima resolução e podem ser impressas. O mais fácil seria usar uma lente do tipo fish-eye para fotografar as pistas de skate a partir de um único ângulo, mas Zaki abomina o artefato (como muita gente).

As fotos de Zaki, no fim, parecem verdadeiras paisagens e maravilhas naturais – como cânions e platôs, por exemplo – e não construções de concreto. A série é chamada por ele de “Empty Vessels”, título que reflete tanto seu interesse pela filosofia oriental quanto sua luta para classificar parques de skate dentro do ambiente construído. “Eu penso neles como uma anti-arquitetura. Não são estruturas, exatamente. Basicamente, são espaços potenciais. Toda sua formação é baseada na atividade que acontecerá dentro deles. Cada elemento é planejado para a ação pontencial.”, explica. 

Em setembro, será publicado o livro “California Concrete: A Landscape of Skateparks”, com as fotos e ensaios do skatista profissional Tony Hawk e do arquiteto Peter Zellner. São 128 páginas, com 90 fotos, ao preço de 50 dólares. No mesmo mês, o fotógrafo estreia uma exposição individual no Orange Coast College, em Costa Mesa, Califórnia. A obra já está disponível para compra na Edward Cella Gallery, em Los Angeles, e na James Harris Gallery, em Seattle. 

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Gustavo Giglio
Updater, sócio do UoD, diretor de marketing/novos negócios.
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