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Amazon convida marcas a testarem anúncios em áudio no Alexa

De forma secreta e sem fazer alardes, a Amazon convocou algumas marcas – entre elas a Colgate, L’Oréal e Lululemon – para participarem de testes iniciais para inserir anúncios em áudio em dispositivos de voz, como a Alexa. Para os potenciais anunciantes, a empresa prometeu um alcance de um milhão de ouvintes – a título de comparação, a companhia afirma que, até hoje, vendeu mais de 100 milhões de dispositivos Alexa. 

A ideia é concorrer com o Spotify, com a vantagem interativa de que a Amazon ofereceria além da facilidade de efetuar a compra, caso o usuário deseje fazer isso após ouvir a publicidade. Isto é, quando o consumidor é impactado por um anúncio via Alexa, por exemplo, já pode solicitar ao dispositivo que ele o direcione ao e-commerce e finalizar a compra do produto em questão. 

Apesar disso, segundo a publicação norte-americana AdAge, os testes da Amazon não foram tão bem sucedidos assim, revelando uma série de brechas no sistema de anúncios. A começar pelo fato de que a companhia não ofereceu às marcas opções de segmentação de usuários – além de não poderem selecionar segmentos específicos de consumidores, elas também não puderam escolher que música acompanharia seu anúncio, nem sequer o gênero da mesma. 

Outra questão revelada por um executivo de uma agência de publicidade – que preferiu não se identificar por conta do critério sigiloso do programa – diz respeito ao prazo. Segundo ele, a companhia deu um prazo bem pequeno para que as marcas desenvolvessem suas campanhas para a plataforma – algo como duas semanas para fechar um projeto com 15 ou 30 segundos de veiculação, além da seleção de uma imagem que acompanharia as versões com tela do dispositivo Alexa. Uai? Duas semanas não é o suficiente? rs…

Por fim, a Amazon também não conseguiu compartilhar com os anunciantes dados sobre o desempenho de suas campanhas – não foi disponibilizada, por exemplo, a informação que revelaria se o cliente buscou pelo produto no e-commerce após ouvir o anúncio ou não. 

Para além das falhas já apontadas, há ainda a preocupação dos anunciantes em relação à jornada do consumidor após ser impactado pelo anúncio em seu dispositivo de voz. A Amazon não garante que as marcas anunciantes seriam as primeiras a aparecerem na busca de um usuário que entrou no site de compras atrás de um produto que conheceu via anúncio na Alexa. Pode ser, inclusive, que o público se depare com o mesmo produto, só que da marca concorrente, ao tentar comprá-lo pela internet. 

Spotify 

Vale lembrar que, há três meses, o Spotify, que seria o maior concorrente da Amazon nesse sentido, anunciou um novo tipo de anúncio em sua plataforma, no qual os usuários da versão gratuita começariam a ser impactados por publicidade interativa – ou seja, aquele que seria o grande trunfo da publicidade da Alexa. A ideia do Spotify é que, durante o comercial, o usuário possa pronunciar “play now” e ser direcionado para a playlist de uma marca, por exemplo. Relembre aqui

O próprio Pandora, rival do Spotify no mercado norte-americano, também demonstrou interesse em desenvolver recursos nessa mesma linha, mas ainda não apresentou nada concreto nesse sentido. 

O boom do conteúdo em áudio

De qualquer forma, apesar dos testes ainda estarem engatinhando, o interesse das marcas e das próprias plataformas em apostar na publicidade via áudio é totalmente válido e necessário, uma vez que, segundo dados do próprio Spotify, atualmente, nos Estados Unidos, mais pessoas estão ouvindo conteúdos em áudio no ambiente digital do que assistindo a vídeos ou atualizando redes sociais, marcando assim um momento chamado pela empresa de “Golden Age of Sound”. 

Em junho, a diretora de conteúdo do Spotify, Dawn Ostroff, falou sobre isso durante um painel em Cannes. Relembre aqui.

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