Quão perto estamos da imortalidade?

Para o professor David Sinclair, de Harvard, a longevidade, ou extensão da nossa vida útil, é o “maior problema não resolvido da biologia”. Atualmente, a média de expectativa de vida global varia em torno dos 72 anos, com as mulheres geralmente vivendo mais do que os homens. Há ainda, claro, variações desse número entre países desenvolvidos e aqueles mais pobres.

Alguns especialistas argumentam que as ferramentas que temos atualmente para estender nossa expectativa de vida são tão simples quanto dieta e exercício físico, mas nada foi comprovado nesse sentido. Cientistas hoje trabalham procurando pistas em alternativas naturais que possam nos ajudar a envelhecer bem. Alguns deles até acreditam que doenças que chamamos de doenças sejam, na verdade, sintomas de envelhecimento.

O tema é discutido na série “How Close We Are”, da plataforma Seeker, que tem como objetivo analisar quão perto estamos de resolver alguns dos maiores desafios da humanidade, procurando especialistas e realizando pesquisas para entender a real possibilidade de mudar algumas questões. Entre os temas dos episódios, estão “o fim da infertilidade”, “a salvação das abelhas”, “morar no oceano”, “controlar máquinas com o pensamento”, entre outros.

Vale conhecer.

O objetivo do episódio “Quão perto estamos da imortalidade” é entender o que mais podemos fazer para aumentar nossa expectativa de vida – até quem sabe, um dia, atingir a imortalidade – além de melhorar nossa alimentação, qualidade do sono, vida social e acesso aos cuidados de saúde, por exemplo. Aqui, não é sobre a Singularidade.

Entre as pesquisas citadas, por exemplo, está a do próprio David Sinclair, de Harvard, que faz parte de um grupo de pesquisadores que colaboram em uma nova academia sem fins lucrativos que promove pesquisas de envelhecimento e descoberta de medicamentos, chamada Academia de Pesquisa em Saúde e Vida Útil. Sinclair comenta que, recentemente, a ciência já trabalhou para estender a saúde e a vida útil de animais, como ratos e macacos. E que com esse conhecimento, de como manter o corpo mais jovem e não desenvolver doenças típicas do envelhecimento, acreditam que seja a hora ideal de causar impacto no mundo. Por impacto, ele quer dizer que, em vez de combater uma doença de cada vez, como era praticado no desenvolvimento de medicamentos e produtos farmacêuticos do século XX, seja trabalhada a possibilidade de criar medicamentos que tratam o envelhecimento em sua fonte e, portanto, têm mais impacto na saúde e no tempo de vida do que medicamentos direcionados a uma única doença.

“Agora, nós temos o conhecimento. Estamos desenvolvendo as tecnologias para não apenas atrasar essas doenças do envelhecimento, mas, na verdade, reverter seus aspectos. Imagine que você tenha um tratamento para doenças cardíacas, mas como efeito colateral você também estaria protegido contra a doença de Alzheimer, o câncer e a fragilidade. Você viveria uma vida mais longa e saudável”, afirmou o médico para a publicação The Harvard Gazette.

Em suas observações, Sinclair apresenta ainda um outro ponto de vista interessante: ele explica que vivemos em um mundo onde o envelhecimento é tão comum que é considerado pela maior parte do mundo, incluindo a comunidade médica, como algo natural e inevitável. Mas será que precisa mesmo ser assim? Para explicar sua tese, ele argumenta que, antigamente, também não se estudavam tratamentos para o câncer, pois ele também era considerado inevitável e incurável, até parte natural da vida de algumas pessoas. Há 100 anos, médicos não se concentravam no tratamento de câncer tanto quanto agora. Mas assim que foi mostrado que o processo da doença podia ser modificado – como na década de 1970, com a descoberta de oncogenes que causam câncer – surgiu uma mudança de paradigma e novos pontos de vista sobre essa mudança de condição.

Espero poder viver a evolução disso tudo…

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Gustavo Giglio
Sócio do UoD, diretor de marketing/novos negócios/projetos especiais.
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