A arte milenar de mostrar pasta

Um jovem aprendiz, depois de muito caminhar, alcança o cume da montanha. É o pico mais alto de todos os picos. Ao chegar no topo, ele adentra no templo sagrado. Lá, sentado em uma pedra ao lado da cachoeira, está o mestre ancião com seus 32 anos, criterioso de tantas viradas de noite. O jovem, ansioso e inseguro, se dirige ao sábio senhor, a quem faz perguntas inquietantes.

Aprendiz: – Oh, admirável mestre, está chegando o grande teste. Tenho uma batalha marcada e quero descobrir como passar pelo meu adversário.

Eis que o mestre sai do seu silêncio de 3 meses no fone de ouvido e responde.

M: – Antes de qualquer movimento, estude o seu oponente. Conheça os seus passos. Mostre domínio sobre a sua história e as campanhas que ele fez. Todo rio pode ser atravessado se você entende o seu percurso.

A: – Meu adversário é muito forte, será possível surpreendê-lo?

M: – Comece com seu golpe mais poderoso. Abra seu portfólio com a melhor ideia. Depois, a segunda melhor, a terceira, e daí por diante. Iáááá!

Com a agilidade de um tigre albino, o mestre aplica um golpe e retira uma ideia ruim da pasta.

A: – Mas esse post saiu, mestre!

M: – Shhhh! Um verdadeiro samurai nunca tem pena de si mesmo.

Nesse momento, o ancião pega uma mosca no ar, utilizando duas canetas de tablet. Zap!

M: – Pense em um nome melhor para a ideia… Nada de o “primeiro não sei o que do mundo”, o “maior nonono já feito”. Seu crescimento só será possível quando você reconhecer suas falhas.

O ancião sobe em um toco e faz a pose do pássaro voador do Twitter. Ele continua falando.

M: – Depois do nome, coloque uma explicação que resuma a ideia em um tweet. Esse é o momento de fisgar seu adversário. Quanto mais conciso, melhor. Chegar em uma boa ideia é como quebrar um tijolo. Você só precisa do movimento certo.

A: – E qual seria o melhor formato para a pasta? Thumbnail ou blog?

M: – Boa pergunta, pequeno gafanhoto. Layout da pasta é importante. Mas mais ainda é a força interior. Se você tiver muitos projetos bons, aposte em um formato com thumbs. Mais fácil e leve de ver. Se você tiver poucos projetos, o formato de blog vai funcionar melhor. Ele não vai passar a sensação de ter poucas campanhas. Não ganha uma luta quem tem mais armas, mas quem sabe usar a arma certa.

A: – Quantas campanhas eu devo deixar?

M: – O jovem me pergunta quantas campanhas ele deve deixar. Eu lhe faço outra pergunta: quais campanhas ele acredita que deva deixar?

A: – Senhor, quando eu tiver feito tudo isso, estarei pronto?

M: – Primeiro aprender a ficar de em pé, depois aprender a voar. Lei da natureza publicitária. Nesse momento, meu jovem, você vai achar seu portfólio ruim. Mas será nessa hora que seu critério evoluirá. Só aí você buscará percorrer caminhos diferentes e pensará em ideias melhores para alcançar esse seu novo critério. Até mesmo o lutador mais faixa preta do mundo tem algo a aprender.

A: – Eu não sei se serei capaz, mestre…

M: – Direção de arte se aprende. Vontade, não. Costumamos lembrar mais de pessoas pela energia do que por uma campanha que vimos no portfólio. Lembre-se: um pássaro quando aprende a voar sabe mais sobre coragem do que sobre voo.

– Ohhh!, exclama o jovem.

O mestre recoloca seu fone, não sem antes dar o golpe final e derrubar o aprendiz na água. Cupááá!

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Lucas Ribeiro
Carioca, atleticano, redator da Crispin Porter + Bogusky, professor da Miami Ad School.

One comment

  1. Que história sensacional!

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