Entenda a importância do MORE GRLS para o mercado de comunicação

Pesquisas feitas nos últimos anos causaram grande desconforto para a indústria da comunicação, ao revelarem que mais de 70% das mulheres não se sentem representadas na publicidade. Outros estudos escancararam que homens apareciam 4x mais e falavam 7x mais do que mulheres em propagandas. Esses tapas seguidos fizeram com que as agências tivessem que começar a tirar as pessoas de caixinhas definidas para elas e se virarem para uma nova realidade da sociedade, porque ficou claro que maior do que o discurso da necessidade urgente pela igualdade de gênero, só o volume de negócios e oportunidades que estavam sendo perdidos pelas marcas, já que mulheres são o target principal de mais de 80% dos produtos.

Os inúmeros estereótipos femininos criados pela nossa indústria, desde o início de tudo, não aconteceram à toa, foram reflexo da nossa cultura machista, solenemente retratada por aqueles que foram assim criados e que seguem lá, em seus lugares de privilégio, incluindo outros tantos homens nos cargos criativos mais altos, com um discurso enviesado de que mulheres não aguentam o ritmo necessário numa área tão dinâmica quanto a de criação, ou pior: de que não existem mulheres capacitadas para a função de liderança.

Pois bem. Todo mundo fala, todo mundo diz que entende a importância do movimento, o mercado reagiu e o MORE GRLS surgiu. E, liderado pela Camila Moletta e pela Laura Florence, o fez com brilhantismo, ao nos presentear com uma plataforma poderosa, capaz de pôr as criativas numa vitrine e criar o maior mapa de talentos femininos nas áreas de publicidade, design e conteúdo do nosso país. Mas se você achou que elas pararam por aí, achou errado. Desde o surgimento, foram algumas iniciativas importantes, em parceria com grandes players do mercado, capazes de espalhar mensagens de inclusão e empatia, para fortalecer a autoestima de tantas outras mulheres, criando uma onda de força e transformação da cultura sexista, para quem sabe um dia normalizar este cenário.

Ao lado do Spotify, da Artplan e da WMcCann e com apoio do Nubank e da Altos Eventos, o MORE GRLS promoveu, em junho, o Furando a Bolha, num formato inusitado de evento, sem palestra, nem palco, mas com uma discussão riquíssima sobre meritocracia e privilégio, carga mental e maternidade, negros na criação, liderança feminina e o papel dos homens nisso tudo, onde todos os presentes puderam dar sua opinião, propondo caminhos que pudessem deixar o mercado de comunicação mais humano, produtivo e justo. Depois disso, ao lado do Facebook, em setembro veio o Ela Faz História, com objetivo de apoiar mulheres empreendedoras, numa série de conteúdos e eventos de capacitação, como o que ensinou 75 mulheres a usarem melhor o Instagram e o Facebook para alavancarem seus negócios.

Furando a Bolha

Teve também a participação delas na plataforma de mentoria Push, por terem entendido que a mentoria é uma das ferramentas mais efetivas em aumentar a autoestima de mulheres e prepará-las pra avançar no mercado, especialmente quando faltam modelos femininos na liderança corporativa – inclusive porque sabemos que mesmo tendo maior formação, mulheres só se candidatam para uma vaga se forem capazes de preencher todos os pré-requisitos de uma vaga divulgada, enquanto os homens mandam o currículo com apenas 60% das habilidades exigidas. O que isso revela? Que mulheres negociam menos do que homens e experimentam mais ansiedade quando o fazem. Isso não é acidental, mas é cultural e diz bastante sobre a criação diferente que são submetidas e também sobre as oportunidades que estão acostumados a receber.

Bom, na última semana, novamente ao lado do Spotify, rolou o “”, com objetivo de discutir diretrizes de equidade, envolvendo clientes, agências, organizações e ativistas, seguindo a dinâmica do Furando a Bolha, com espaço de conexão e lugar de fala para todos os presentes. Teve gente sugerindo que o termo “diversidade” fosse substituído pelo da “proporcionalidade” (adorei isso), teve quem pedisse que as marcas cobrassem mais isso de seus parceiros, teve quem sugerisse que o MORE GRLS servisse de censo real, anual, com objetivo destacar as agências que não evoluíssem neste quesito, e gente pedindo para que os que criam e os que aprovam repensem o papel das mulheres, homens, negros, gordos, velhos, asiáticos, lgbts, pessoas com deficiência, pobres, ricos, etc…, refletindo não só a presença (quantidade), mas também na perspectiva e personalidade, para que a sociedade se veja, finalmente, representada.

Escuta as Minas

E aí seguimos buscando entender a razão das principais agências ainda não terem aderido ao compromisso de terem 50% de mulheres na criação até 2020. Para que tenham uma ideia real, das 20 agências que mais movimentam $$ no país, apenas a Havas se comprometeu com a tal meta. Isso diz muito, né? Fato é que dar luz para isso não é moda e não é marketing. Transformar o cenário depende de cada um de nós e, para finalizar, estendo para vocês o convite feito pelo movimento, estampado na plataforma do MORE GRLS :

“Conheça, reconheça e assuma o compromisso com a mudança. Podemos ser poucas agora, mas, com incentivo, a gente se multiplica.”

[Fontes: Kantar Ibope, Cannes Lions, IBGE, ONU Mulheres]

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Monica Gelbecke
Diretora de Grupo de Contas na Fbiz
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