#SelfPartnership de Emma Watson mostra que vivemos na era de ouro da solidão

“I call it being self-partnered.”

Com essa declaração simples, Emma Watson desencadeou uma enxurrada de tweets, pensamentos e debates na semana passada. Em entrevista com a Vogue britânica, a estrela de “Harry Potter” e embaixadora da boa vontade da ONU discutiam sua vida romântica enquanto ela se aproximava de seu aniversário de 30 anos.

Nunca acreditei no discurso de ‘sou feliz solteiro‘”, disse ela. “Eu fiquei tipo, ‘Isso é totalmente expressão.Demorei muito tempo, mas estou muito feliz (sendo solteira). Eu chamo isso de self-partnered” (autoparceria – a grosso modo).

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Para alguns, a nova adição de Watson ao dicionário cultural não refletia nada além de auto-indulgência de uma celebridade fora de contato com o mundo real. Para outros, era um exemplo raro de uma figura pública se libertando dos grilhões das expectativas gawkish e verbalizando as realidades da vida e do amor. Mas talvez Watson estivesse expressando algo bastante mundano – ao celebrar a solidão, dizem os especialistas, ela estava refletindo a mudança na maneira como os millennials estão caminhando pela vida.

Fiquei encantada com a notícia“, disse Kate Bolick, autora do best-seller “Spinster: Making a Life of One’s Own“, disse à CNN. “Quando eu tinha a idade de Watson, não havia uma conversa pública sobre os benefícios reais de viver e estar sozinho. Isso me anima ao pensar que os jovens de hoje estão recebendo essa mensagem e que talvez a sociedade esteja a caminho de não estar mais obcecados em viver em modo casal“.

Longe de serem obcecados, as evidências sugerem que mais jovens estão mais solteiros do que nunca. Nos Estados Unidos, 51% dos jovens não estão em um relacionamento, segundo um estudo de 2019. Outras pesquisas descobriram que a geração do milênio e a geração Z têm visões mais positivas da vida de solteira, e a estão escolhendo ativamente com muito mais frequência.

Os motivos são diversos e uma coisa é fato, as relações humanas estão mudando para evoluir. Seja por causa do sistema econômico de cada país, crenças religiosas, questões de saúde mental, ou emocional e até compreensão do próprio valor (falando em relações conhecidas hoje em dia como tóxicas, além da pauta sobre a necessidade da reintrodução do homem, gênero, na coexistência de todos para ver todos como iguais), o foco será na tendência da própria felicidade sem cobranças absurdas, pesos extras ou irreais ou um manual de boas dicas para manutenção da relação.

O fim da romantização do case e namore ou, seja infeliz e aceite o julgamento o resto da vida, esta caindo por terra, e colocando em cheque alguns pontos da nossa existência. Veja, ninguém aqui diz que você não pode sair e se divertir, só falamos que, para se comprometer com outra pessoa, é bom você ter a segurança interna, autoconhecimento, o máximo que conseguir de segurança física, mental e social, e assim compartilhar com alguém todas as suas questões, aceitar do próximo, e coexistirem não só com parceria, mas como um.

Mesmo para as pessoas já casadas as mudanças também estão acontecendo, Jada Pinkett Smith, atriz e empreendedora casada com o ator Will Smith, compartilhou em uma entrevista para o Late Show with Stephen Colbert que ela estava cansada de fingir que vivia uma vida perfeita de casamento, quando a realidade estruturada estava somente no “nós só fazíamos o que ele pedia. Não é o mesmo que ter um casamento feliz e completo“.

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Julio, esse é fim da era humana? Não, pelo contrário! É a cura e a evolução para próximas gerações mais saudáveis, que estarão prontas para seguir a debater problemas gigantes da humanidade e criar soluções que nem mesmo nós, hoje, conseguimos pensar. Tudo sem julgar de modo antigo, sem criar segregações e só enxergarem cada um como um ser humano incrível que cada um é, e quanto essa individualidade pode contribuir muito para uma parceria na vida intima ou no coletivo.

O assunto é longo e conseguimos até criar dicas de “como” (das nossas séries por aqui), se assim quiserem, só avisar abaixo.

Até a próxima

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Julio Moraes
Julio Moraes é empresário e atua na área de estratégia e planejamento em Marketing & Digital há mais de 16 anos e conta com trabalhos em mais de 20 empresas nacionais e internacionais. Atualmente vivendo e trabalhando em Los Angeles e com trabalhos ganhadores do EMMY® - The Television Academy e indicados ao HFPA® Golden Globes.

3 Comments

  1. Li verdades…as relações estão mudando e as pessoas estão testando novos modelos de vida…a necessidade de casar e ter filhos é relativa…a necessidade de ter um parceiro é relativa..e as pessoas estão aprendendo a lidar com essas mudanças e variáveis, a solidão pode ser muito benéfica para a sanidade rs

  2. Parabéns pelo texto, Júlio. Muito atual, ótimas análises. 🙂

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