Revolução das Palavras

Durante anos, Palavras e Imagens travaram um duro confronto político e disputaram ferrenhamente pelo poder da atenção. Esse duelo pode ser dividido em quatro momentos históricos, descritos abaixo.

Período I: Ascensão das Imagens

Após o enfraquecimento dos All-Types (como era chamado o predomínio do texto), inicia-se um novo período nos Anúncios. Em uma rápida ascensão, as Imagens chegam ao comando e promovem diversas mudanças visuais. Sob o slogan “Uma Imagem vale mais que mil Palavras”, estabelecem um movimento conhecido como Ditadura Visual. Esse momento firma o fim definitivo da Era dos Trocadilhos.

Período II: Governo ditatorial

O começo da Ditadura é marcado por um uso extensivo de recursos visuais. O governo lança mão de diversos programas, como o Corel Draw Para Todos, o Projeto 3D e o Mais Photoshop. Há um tratamento diferenciado para as Imagens. Como consequência da sua perda de espaço, Palavras são perseguidas e colocadas à margem, sobrevivendo de forma rudimentar nos textos legais. Toda essa transformação conduz a uma ruptura total entre essas duas vertentes.

Período III: Uma luta de classes

O crescente uso da força pelo regime autoritarista leva as Palavras a um contra-ataque. Primeiro, elas reúnem-se em letras miúdas nas dobras das páginas duplas. Não demora muito e o burburinho em prol da mudança logo chega às orelhas das revistas. Pouco a pouco, o movimento textual ganha corpo. Frases inteiras são formadas. Juntas, marcham cantando palavras de ordem contra o sistema: Oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, uni-vos! Há até mesmo a aliança de textos com alinhamento à esquerda e à direita. Entre as principais aspirações do pró texto estava a ocupação das áreas improdutivas e sem nenhuma informação nos Anúncios.

Período Final: Novo Governo

Na tentativa de se manter no controle, a Ditadura aplica uma série de duras medidas, como o aprisionamento de Palavras em boxes e templates. O resultado das iniciativas desse governo de aparências acaba por ser o seu consequente declínio. Ganhando força, as Palavras fazem diversas exigências. Em caixa alta, pedem mais participação no comando – não apenas como foto-legenda. A fim de evitar sua iminente derrocada do poder, as Imagens, então, propõem um acordo às Palavras e ambas passam a integrar um governo de coalizão. Nasce aí o Estado Democrático de Direito à Leitura.

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Lucas Ribeiro
Carioca, atleticano, redator da Crispin Porter + Bogusky, professor da Miami Ad School.
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