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Essa mesa contou com nada mais nada menos que duas grandes mentes:

Primeiro, Yuval Noah Harari, historiador e autor dos best sellers que você vai reconhecer abaixo:

Crédito: Companhia das Letras

E segundo, Mayim Bialik, que interpreta Amy Farrah Fowler na série The Big Bang Theory, que é (também) PhD em Neurociência pela UCLA.

Divulgação: CBS

Os 55 minutos foram extremamente ricos, eu mal conseguia parar de anotar cada frase que eles falavam, tendo que pausar muitas e muitas vezes para acompanhar o ritmo.

De cara, Yuval já abre explicando que nossa forma de pensar é através de histórias. Storytelling é uma ferramenta extremamente poderosa hoje em dia, e por isso mesmo a ciência e a ficção andam sempre lado a lado, o que lança uma luz sobre o motivo pelo qual fake news continua existindo em uma era que chamamos de era da informação.

O racional e o irracional estão presentes na mente de uma mesma pessoa. Podemos ver pessoas altamente esclarecidas e racionais por um lado, mas muitas vezes completamente irracionais e ilógicas quando o assunto passa para a política, ideologia ou religião, por exemplo.

A ciência tenta chegar ao mais próximo da verdade, mas para as pessoas a verdade nunca é o bastante. Ciência e fake News andam lado a lado, e isso não é de hoje. O homem mais primitivo contava histórias que eram passadas de pais para filhos por tradição oral, que sempre eram tidas como verdades. A criação do livro impresso não mudou isso, contos e ficções eram escritos e transmitidos através de livros, também grandemente aceitos como verdades. Para unir as pessoas seja politicamente, religiosamente, socialmente, você precisa contar a elas uma história, e a história não precisa nem ser verdadeira. As histórias mais bem sucedidas são ficções.

Yuval Noah Harari | Créditos: SXSW 2021

E porque inovação é tão difícil de acontecer?

Yuval diz que existem alguns motivos: o primeiro é que aprender novas coisas, ou começar do zero não é fácil. Existe uma barreira de aprendizagem que precisamos vencer.

Mayim complementa que apesar de nosso cérebro ser adaptado para a mudança e equipado para aprender e incorporar novas experiências, ainda seguimos o caminho da menor resistência. A noção simplificada da busca pelo prazer ainda nos guia nesse processo de aprender e compreender o mundo.

Mayim Bialik | Créditos: SXSW 2021

O segundo motivo que Yuval traz é que, além de não ser fácil, mudar também é perigoso. Biologicamente falando, 99% das mutações não são boas. Veja por exemplo como a maioria das startups fracassam. Na história das revoluções, as mais radicais delas trouxeram muito mais tristezas que alegrias. As revoluções moderadas é que fazem melhor para a sociedade.

Os humanos são incapazes de repensar e reinventar o mundo. Se eles tentam mudar muitas coisas e de maneira muito rápida, é sempre um desastre. As revoluções também só são boas se olhadas em conjunto, e nunca para o indivíduo. Por exemplo, a troca da sociedade de caçadores, para agricultores. O agricultor teve uma vida muito mais difícil e teve que trabalhar muito mais que o caçador.

Inovação boa é inovação gradual

Um dos insights então mais poderosos aqui é que, enquanto inovadores, temos uma mente muito mais revolucionária, mais desapegada às estruturas e formatos atuais, somos naturalmente mais visionários e nos adaptamos de maneira mais rápida. Mas para funcionar bem as mudanças precisam ser graduais, processuais, devagar, pacientes.

Óbvio que existem inovações disruptivas, que mudam um modelo de negócio tradicional em um piscar de olhos. Mas elas são mais raras e também mais “violentas” no sentido de jogar sapo frio em água quente.

Inovação boa é inovação coletiva

Todo mundo aqui deve ter acompanhado (o que ainda tem desdobramentos) a batalha do Uber x Táxis. A inovação para a sociedade como um todo foi muito boa, mas para o taxista foi extremamente impactante.

Não vou abrir uma discussão sobre “os taxistas deveriam prever e perceber as mudanças do mercado”. De certa forma, que se adapta com mais velocidade acaba recebendo um menor impacto. Mas de fato para o coletivo a disrupção foi boa, para o indivíduo, nem tanto.

Então o segundo insight que ficou foi: além de pensar no processo gradual, pense no coletivo.

Inovação como uma história bem contada

Para trazer uma nova tecnologia, ou novo formato, nova plataforma, novo modelo… pense em como cada pessoa, ou cada grupo, está na jornada de aprendizado e veja como essa inovação pode ser melhor formatada para cada etapa dessa jornada.

Aprender não é fácil. Inovar não é fácil. Guiar as pessoas não é fácil. Mas o melhor caminho ainda pode ser o de aproveitar a nossa forma de pensar (através de histórias) e criar uma narrativa que envolva todos no processo, cada qual com suas peculiaridades, dificuldades, interesses pessoais e jornadas individuais.

Ainda estamos no terceiro dia de SXSW e tem muita coisa pela frente para explodir o cabeção!

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