Quando o Head do Instagram, Adam Mosseri, afirmou que o app deixou de ser um aplicativo de fotos, o burburinho foi grande.

Em seu comunicado (um vídeo divulgado em seu Twitter), Mosseri enfatizou como conteúdos em vídeo se tornaram relevantes e pontuou a necessidade de estar no mesmo nível dos grandes dessa indústria, como o YouTube e o TikTok.

Passado o alvoroço, o Instagram voltou um pouco atrás, dizendo em nota que “em nenhum momento Mosseri diz que o Instagram deixará de ter fotos, mas sim que o Instagram já não é mais apenas um aplicativo de compartilhamento de fotos quadradas (em referência a quando foi lançado, em 2010), pois já é muito mais do que isso.”

Na verdade, houve um mal-entendido e a mensagem de Mosseri dizendo que “não somos um app de fotos” foi replicada internet afora, sem o contexto necessário. O que ele quis enfatizar é que, acima de tudo, o aplicativo quer trazer entretenimento para seus usuários. E se para isso será necessário priorizar os vídeos, assim será feito.

“Nas pesquisas, a resposta mais dita quando se pergunta porque você usa o Instagram é: para se divertir. As pessoas procuram o Instagram para isso”

 Adam Mosseri Head do Instagram

Fica a dica para marcas: aposte em diversão e entretenimento.

E para garantir essa diversão, a equipe do Instagram não poupará mudanças. No momento, eles estão focados em quatro grandes áreas: Creators, Vídeo, Shopping e Mensagens.

No depoimento de Mosseri, ele explica que nos próximos meses, as pessoas verão as recomendações do Instagram funcionar de forma diferente, mostrando no seu Feed conteúdos de pessoas que você não segue, mas que o algoritmo considera relevante para você. Há ainda uma versão onde os usuários poderão escolher por tópicos os assuntos que mais desejam ver.

A respeito dos vídeos, a ideia é compreender de que maneira a plataforma abraçará o mundo audiovisual de maneira mais ampla. “Tela cheia, imersiva, divertida, mobile-first”, cogita Mosseri. Assim, se preparem: virá uma enxurrada de novos testes, para entender o que mais agradará quem utiliza a plataforma.

O que o Instagram faz (e como faz):

Photo by Oladimeji Ajegbile from Pexels

Há um certo tempo, a estratégia do Facebook Inc é de aproximação, tentando deixar seus usuários mais seguros sobre o que os apps fazem e como fazem. Entre as medidas, estão conteúdos do blog oficial da plataforma, como um grande guia sobre como o Instagram funciona, desmistificando algumas coisas e confirmando informações que já sabíamos.

Além disso, poucos meses depois, o YouPix Summit 2021 contou com uma entrevista inédita com o VP do Instagram, Charles Porch, respondendo as principais dúvidas dos usuários. Por fim, essa semana acontece o evento Creators Week, primeira edição no Brasil, em mais uma medida de aproximação e incentivo aos criadores de conteúdo.

A ideia, aparentemente, é deixar o usuário mais seguro e confortável dentro da plataforma. É curioso que o guia do Instagram já inicia explicando-se, tendo como frase de abertura o seguinte: “é difícil confiar no que não entendemos”. Essa série de vídeos, entrevistas e materiais divulgados podem ser vistos como uma forma mais amigável de se aproximar do usuário e dizer: “hey, estamos aqui e nos importamos com vocês”. Bastante diferente do modos operandi anterior da plataforma, que bania, mexia no algoritmo, tirava engajamento e mudava tudo sem explicar nada à ninguém. Parece que o Instagram entendeu que, para estar e se manter entre os grandes, agora é preciso adaptar-se e, acima de tudo, colocar o usuário em primeiro lugar.

A partir de tudo isso, fiz um resumo do que foi revelado pela plataforma nos últimos meses. Confira as principais dúvidas respondidas pelo próprio Instagram:

Existe um algoritmo único?

Na verdade, a plataforma revela que não usa apenas um algoritmo, mas sim um conjunto de algoritmos, classificadores e processos, cada um com seu propósito. A mudança em 2016, onde o app deixou de mostrar os conteúdos cronologicamente, ocorreu pois as pessoas estavam perdendo 70% de todas as postagens no Feed. Por isso foi criado um Feed que classifica as postagens com base no que você mais gosta. Cada parte do aplicativo (Feed, Explorar, Reels) usa seu próprio algoritmo adaptado para como as pessoas o usam, e classifica os conteúdos de maneira particular em cada ferramenta.

Como são classificados o Feed e o Stories?

O Instagram entende que no Feed e nos Stories as pessoas desejam ver o conteúdo de seus amigos, familiares e daqueles de quem são mais próximos. Por isso, os sinais que o algoritmo usa para classificar o conteúdo são, em ordem de importância: Informações sobre a postagem; Informações sobre a pessoa que postou; sua atividade; seu histórico de interação com alguém.

Como é classificado o Explorar?

Como o próprio nome indica, essa ferramenta foi pensada para ajudar você a descobrir coisas novas, por isso muitas vezes vemos postagens de contas que não seguimos. Aqui, os sinais que o algoritmo considera principalmente são as postagens que você gostou, salvou e comentou no passado. Assim, ele consegue prever que tipo de conteúdo despertará o seu interesse. Os sinais mais relevantes, em ordem de importância, são: Informações sobre a postagem (inclusive, a popularidade do conteúdo é muito mais importante para ranquear bem no Explorar do que no Feed ou no Stories); Seu histórico de interação com a pessoa que postou; Sua atividade; e Informações sobre a pessoa que postou.

Como é classificado o Reels?

O Reels foi projetado para oferecer entretenimento. Assim como o Explorar, a maior parte do que você vê vêm de contas que você não segue. O processo do algoritmo e os sinais usados nas duas ferramentas são muito semelhantes: baseado no seu comportamento no Instagram, busca-se os Reels que você pode gostar e, em seguida, esse conteúdo é organizado com base no quanto o app considera que são interessantes para você. A diferença aqui é que no Reels, o foco é especificamente encontrar o que pode entreter cada usuário.

Uma revelação interessante é que para isso, o Instagram faz pesquisa com pessoas reais, perguntando se elas acham um vídeo em específico divertido ou engraçado. O app usa esse feedback para aprimorar sua forma de descobrir o que divertirá as pessoas, se mantendo inclusive sempre de olho nos Creators menores. As previsões mais importantes que o algoritmo do Reels faz são a probabilidade de você assistir a um vídeo até o fim, achar divertido ou engraçado, e ir para a página de áudio (um sinal que indica se você pode ou não ser inspirado a fazer seu próprio Reels).

O que é “Shadowban”?

O Instagram resolveu falar sobre o famoso Shadowbanning. Para quem não é familiarizado com o termo, seria, em tradução própria, “banir às sombras’’. Há muito tempo os usuários têm reclamado que o Instagram silencia, diminui o alcance das postagens e/ou remove conteúdos, sem muita explicação. Entre as razões cogitadas para isso estavam o mau uso de hashtags e até mesmo falar de algum assunto que o app simplesmente não quer que você fale. Mas, segundo o Instagram, isso aconteceria por erros internos deles, e não um silenciamento real.

“Gerenciamos milhões de relatórios por dia, o que significa que cometer um erro mesmo em uma pequena porcentagem desses relatórios afeta milhares de pessoas. (…) Podemos ser mais transparentes sobre por que derrubamos conteúdos, trabalhar para cometer menos erros — e corrigi-los rapidamente quando o fazemos — e explicar melhor como nossos sistemas funcionam. Estamos aprimorando as notificações no aplicativo para que as pessoas saibam na hora por que, por exemplo, sua postagem foi removida, e explorando maneiras de informar às pessoas quando o que postam vai contra nossas Diretrizes”, explicou a nota.

Como você pode influenciar o que vê no Instagram

O Instagram também trouxe dicas para os usuários deixarem o app mais personalizado. Segundo eles, o modo como você usa o Instagram influencia fortemente as coisas que você vê — e o que não vê. Para melhorar a sua experiência, a principal sugestão é interagir com os perfis e postagens que você mais aprecia, mas existem algumas ações mais explícitas que definem o que é visto:

Escolha seus amigos mais próximos: Além de permitir que somente alguns usuários tenham acesso a seus Stories, a lista de amigos próximos também serve para que o algoritmo priorize esses perfis no Feed e nos Stories;

Ignore quem não é do seu interesse: Sabe aquelas pessoas que você não quer ver o que postam, mas também não gostaria de deixar de segui-las totalmente? Utilize a opção ignorar;

Marque as postagens recomendadas como “não tenho interesse”: Sempre que surgir uma recomendação, seja no Explorar ou no Feed, você pode indicar que “não está interessado” naquela postagem. Segundo o app, o algoritmo realmente entende essa escolha, e não mostrará recomendações semelhantes no futuro.

Como ter uma conta verificada?

Quando alguém pede verificação, uma equipe cuida do processo. Para agilizar, a dica é enviar artigos que saíram na mídia sobre você, por exemplo, pois isso ajuda a comprovar a sua notoriedade e acelera o processo de verificação. Quanto mais informações que auxiliem a comprovar a sua notoriedade, melhor. Qualquer pessoa pode solicitar a marca de verificação indo nas configurações da conta do Instagram. Não existe nenhum outro canal a não ser esse. Caso a sua solicitação não seja aprovada na primeira vez, você pode solicitar novamente após seis semanas. O Instagram está sempre atualizando esse processo, então vale a pena tentar novamente.

Ainda há espaço para crescer no Instagram? Existe algum guideline de crescimento?

“Não há época melhor para ser um criador de conteúdo do que agora”, declara Charles. Mas para crescer, não existe uma equação mágica. “Eu sei que as pessoas querem que eu diga: ‘Publique seis vezes por dia, 6h25 da manhã, horário de Paris, e tudo será perfeito’. Mas não é assim que funciona.” Porém, há várias coisas básicas que você deve pensar sobre. A primeira dica de Charles é: a autenticidade é o melhor caminho. A segunda dica é: crie uma marca pessoal. Por fim, Charles orienta a fazer uso de todo o app. “Tenha fotos incríveis no feed, coloque os bastidores nos Stories, publique seus conteúdos de dança ou desafios no Reels, faça lives de vez em quando e busque novos meios de se conectar com a sua audiência. O ideal é usar todas as opções que a plataforma oferece para crescer e se conectar com sua audiência. Além disso, experimente, adapte, veja o que funciona e o que as pessoas se engajam ou não, e cresça a partir daí”, aconselha.  

Porque o Instagram decidiu acabar com o “arrasta para cima” para links? 

Como o Stories evoluiu e se tornou uma plataforma infinitamente maior, esse boom exigiu mudanças. “Se pensarmos bem, se trata de uma plataforma para stickers — com figurinhas de músicas, gifs, dias da semana, etc. Então resolvemos alinhar essa experiência e fazer a mesma coisa com os links”, conta. A vantagem da novidade é a possibilidade de mudar o tamanho, o local onde quer inserir a figurinha, formatá-la e deixar tudo mais simples. Outra vantagem é que com o “arrasta para cima” os seguidores não podiam enviar mensagens. Com a figurinha de link, tudo fica muito mais interativo.

Quando a monetização vai ser liberada no Brasil?

O Facebook Inc está fazendo um aporte de 1 bilhão de dólares em criadores até 2022, então novidades estão sendo desenvolvidas e algumas coisas chegarão em breve no Brasil, assim como foi com o Reels, inicialmente testado no país. Mas, por enquanto, os testes ocorrem em solo americano. Entre os testes estão o programa de afiliados, os anúncios para IGTV e pagamentos dentro da plataforma entre contas de países diferentes.

Promover um conteúdo faz diminuir o alcance orgânico?

Segundo o VP, isso não é verdade. “Se você pagar por um anúncio, ótimo! Mas isso não vai afetar a distribuição orgânica de suas publicações. Não se preocupem com isso, é um mito”, garante.

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