Cada vez que eu encontro alguém ou sou apresentada para uma pessoa, é como se voltasse no tempo. E isso em vários aspectos.

Que delícia reencontrar as pessoas. E que lindo poder enxergar o outro ou a outra como uma pessoa e não mais como um vetor de transmissão do coronavírus. Você pode não concordar comigo. Afinal, o vírus continua circulando. Sim, continua. Mas desde que eu tomei a segunda dose da vacina, aos poucos, fui me libertando daquela vida sequestrada – como certa vez me falou a amiga Val Borges – e adotei a expressão.

De uns dois meses pra cá, eu estou me permitindo bem mais. Voltei a reencontrar com mais frequência os amigos, a não sentir mais medo de estar ao lado de outras pessoas e a ter mais segurança na hora de sair de casa.

Os cuidados com a biossegurança continuam, mas a cabeça já está muito mais tranquila. Foi uma doideira esta pandemia? Foi não, ainda é, mas após um ano e nove meses, o conceito do “princípio da não resistência” – ouvi do Felipe Anghinoni no curso Bando, da Perestroika, ano passado – já faz parte tanto dos meus pensamentos quanto das minhas atitudes. Basicamente é você não reagir a uma situação, aceitá-la e encontrar uma maneira de seguir em frente apesar das adversidades. Pra quem, assim como eu, nasceu nos anos 1970, é o famoso: “aceita que dói menos!”.

De março de 2020 para cá foram muitas adaptabilidades. A minha mais recente adaptação cotidiana me remete à minha infância, quando no pátio da escola, a gente brincava de beijo, abraço ou aperto de mão.

Era um barato. Uma pessoa ficava na frente de uma fileira de coleguinhas. Essa pessoa vendava os olhos e alguém a guiava: é essa? É essa? E assim ia de pessoa em pessoa. Quando ela respondia o “sim”, quem guiava perguntava: o que você quer dela: beijo, abraço ou aperto de mão? Claro que rolava zoeira ou conchavo. Tinha beijo com quem a gente queria, mas também com quem não queria. Um sex appeal sutil, inocente, mas ali a gente já começava a experimentar um pouco das descobertas sobre os nossos e os desejos dos outros que nos seriam revelados alguns anos mais à frente.

Eu tenho me sentido um pouco criança quando reencontro meus amigos ou faço novos. Pra mim, estes encontros viraram uma espécie de código de conduta. Sempre pergunto: beijo, abraço ou aperto de mão?

E dependendo da resposta, revivo sentimentos de quando eu era mocinha. Que falta que eu estava de encontrar, beijar, abraçar ou simplesmente apertar as mãos das pessoas.

Espero que você se sinta abraçado, abraçada com este meu relato.

Beijos carinhosos,

Luli.

Luli Liebert

No colégio, eu sentava no meio da sala, andava com a turma do fundão e fazia os trabalhos (em papel almaço) com a moçada da frente. Na adolescência, eu cabulava as aulas de catequese. Gosto de estudar, gosto de gente que resolve ficar e de banho de chuva. Apaixonada por café, cosmopolitan (meu drink predileto), negroni, jack daniels (sem gelo, sempre!), pimenta e de encerrar ciclos com a mesma gentileza e carinho que se iniciaram. Amo post-it, moleskines e plantas. Sou diurna, interessada nas conexões humanas e ainda vou aprender a tocar baixo antes dos 50... E você, me conta a tua história?

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