Crônica sobre autismo e TDAH na vida adulta

Eu existia de outra forma
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Os caminhos do supermercado eram labirintos sensoriais, afetava a mente, afetava o corpo, me traziam esquecimentos do objetivo de estar andando ali.
Uma raiva começava a me afetar, raiva de mim mesma por ter que fazer caminhos de voltas e perguntar: o que era mesmo?

O hiperfoco em objetos, a imaginação das texturas nas minhas mãos, as cores e os barulhos que ali estavam, os cheiros que me lembravam e que não eram os mesmos de onde vinham enchiam os pensamentos e sensações enquanto o labirinto aumentava e uma certa desordem mental me envolvia em uma redoma que parecia não ter como quebrar naqueles instantes.

Desistir não é uma opção, mas frustra a cada maré cheia que o cérebro vai tendo em determinados contextos.

Um peso saí quando se tem o diagnóstico e o tratamento, mas alguns outros é preciso conviver e ir descobrindo as vias de escape.
Mas o mais importante disso tudo é ter a certeza de que não estamos sozinhos: Entre terapeutas, amigos, amores que te aceitam.

Tudo faz mais sentido quando você se descobre, não deixa de ser difícil mas com certeza fica mais coerente a nossa existência.

Não desistir!

Jamille Costa

Fotógrafa, autista, pinadeira do mundo gamer, curiosa e amante da comunicação.

2 comments
    1. É difícil, mas o importante é manter o combo: Psicoterapia/Psiquiatra e pessoas confiáveis e que se doem à compreensão, não importa onde estiver.

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