globo


Quem acompanha meus posts aqui no UoD sabe que eu sou um fã de horror. Gosto de filmes de horror, de games de horror e literatura de horror – tema, inclusive, deste post.

A literatura de horror, particularmente, é um “espaço” no qual tive as experiências mais imersivas do gênero. Apesar de trabalhar com desenvolvimento de games e ter jogado inúmeros títulos de horror, foi com os livros que tive os sentimentos mais fortes de um “arrepio” incontrolável na espinha.

Existe um tipo de horror que é o que mais me atrai: é o horror na paisagem cotidiana; o horror que não se explica. Me encanta como a protagonista Reagan, do filme “Exorcista”, vai se transfigurando em uma entidade macabra dentro de uma casa comum, em um bairro comum. Acho incrível como no livro “A arte de produzir efeito sem causa”, o autor Lourenço Mutarelli revela – em um apartamento de classe média baixa – a personagem Júnior sofrendo de distúrbios que ora parecem ser fruto de uma infecção parasitária cerebral, ora parecem ser frutos de uma possessão demoníaca.

O novo livro de Oscar Nestarez, Claroscuro, me arrebatou no sentido de trazer esta paisagem cotidiana como cenário para uma história de natureza assustadora. O texto trata da história dos irmãos Lúcio e Dário, dois jovens paulistanos, habitantes da periferia que possuem uma balança psicológica que rege suas vidas de maneira estranha: sempre que um está radiante de felicidade, o outro se encontra em um profundo abismo de tristeza.

A estranha – e sobrenatural – balança vai revelando muito mais do que uma simples dualidade entre alegria e tristeza; o avançar da narrativa vai traçando situações que beiram a completa loucura e os sentimentos mais sórdidos que podem se apossar da mente humana.

O cenário periférico da grande metrópole colabora para o clima aflitivo do horror cotidiano. O desespero dos pais que não conseguem um atendimento médico para obter respostas para o problema dos irmãos, a violência velada do bullying escolar e os segredos obscuros de vizinhos são o pano de fundo intrigante que vai nos colocando como espectadores de uma história que já vimos outras vezes, mas – agora – com toques tenebrosos.

Claroscuro é uma leitura daquelas que não conseguimos parar. É ágil e com toques perturbadores. Ao fim de tudo, nos questionamos se o que se passa nas páginas do livro é sobrenatural ou meramente um acaso ligado a um problema mental. É um livro que celebra o horror em paragens brasileiras, categoria que reúne cada vez mais fãs em território nacional.

O livro é o segundo volume da coleção Dragão Negro da Editora Draco. O projeto é uma coleção belíssima e com acabamento primoroso.

Estou bastante curioso com os demais títulos que estão por vir.

Vida longa à literatura de horror nacional!

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