melagua

Imagine que você está em um aeroporto. Ao seu lado, um casal conversa em uma língua que você não conhece.

Apesar de não entender nada, uma coisa é clara: eles falam rápido, muito rápido.

-“Piripipipi bóbóbóbó, firififi, pererepépé…”. Soam animadíssimos, como se estivessem conversando sobre algo realmente incrível.

Isso já aconteceu antes, naquela reunião com os gringos. Parece até que combinaram de falar bem rápido, só pra dificultar a sua vida.

Por que os espanhóis parecem falar sempre a 200km/h? E os Italianos a 250 km/h?

Por que o japonês parece uma metralhadora de sílabas como onomatopéias de filmes de karatê? Raiá, rói, chimbará, hup.

Para resolver esse mistério, pesquisadores da Universidade de Lion, na França, convocaram 59 homens e mulheres com línguas nativas diferentes (inglês, espanhol, japonês, françês, alemão, italiano e mandarin) para um teste.

01. Cada participante leu 20 textos, em sua língua.

02. Depois, os pesquisadores contaram o número de sílabas em cada língua e criaram uma relação entre o número de sílabas e o volume de informação ou significado contido nelas.

Ou seja, conseguiram atribuir um valor de “densidade” ou “prolixidade” (se é que existe essa palavra) para cada língua.

Algumas falam muito para dizer pouco, outras falam pouco para dizer muito.

Por exemplo, um “aiá” em mandarin pode significar “o homem que subiu a montanha para pegar uma flor”.

E um “hofdtanggerlishstrassesprunkt” em norueguês pode significar “oi” (palavras obviamente inventadas, só pra você entender o espírito da coisa).

03. Os resultados:

linguas

04. Conclusão I: quanto mais densa uma língua (onde cada sílaba tem muito significado embutido), mais lentamente é falada.

05. Conclusão II: essa é um mistério, mas todas as línguas entregam mais ou menos a mesma quantidade de informação no mesmo tempo. Só que as mais densas precisam falar menos e a menos densas, mais. Em um filme chinês legendado em espanhol, os atores falariam pouco, mas seriam muitas legendas.

06. Conclusão III: explicando o mistério do começo do post, em que os gringos soam sempre muito rápidos, é justamente por causa da baixa densidade de informação. Um fenômeno psicológico, você não entende nada, as sílabas viram apenas sons e você não consegue decodificar nenhuma informação e acha que está tudo muito rápido.

E essa é história por trás das diferentes densidades das línguas. Já as diferenças entre a densidade de cada pessoa, bom, aí já é outro post.