É mentirosa a frase que espalham por aí, que “o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes”. Esse garotinho, torcedor do Everton, da Inglaterra, e ‘pic of the day’ do The Guardian Sport, não concorda com isso. E eu também não. :)

A equação novas arenas + segurança (às vezes) + conforto  elevou o preço dos ingressos em alguns locais e a velha discussão voltou à tona: vale a pena elitizar o futebol brasileiro?

Vasco e Corinthians jogaram domingo, em Brasília, no novo Mané Garrincha, para apenas 21 mil pagantes – mas com uma renda bruta de R$ 2 milhões (o ingresso inteiro, de arquibancada, custava CENTO E OITENTA reais). Quase a mesma renda foi alcançada nesta quarta-feira, quando o Maracanã viu a torcida do Flamengo fazer a diferença – foram 55 mil presentes, que pressionaram o adversário até que o gol da vitória (e da classificação rubro-negra) saísse aos 43 minutos do segundo tempo (com ingressos a preços bem mais módicos…).

Ainda serão muitas as discussões sobre a melhor fórmula, mas a mágica me parece “simples”: bom futebol, organização, respeito ao torcedor e preço acessível, em horário decente.

O ano de 2013 celebra a marca de duas décadas do lançamento de ‘Febre de Bola’, de Nick Hornby, livro de cabeceira de 6 entre 5 apaixonados pelo esporte (Hornby também é autor do célebre ‘Alta Fidelidade’). Muitos trechos da publicação, que conta a história do fanatismo do autor pelo Arsenal, caem como uma luva para a transformação que está acontecendo no “país do futebol”.

Selecionei três, curtos. A escolha foi difícil, mas é como se Hornby estivesse aqui, discutindo futebol (e sua elitização) com o ‘Gordão’, que me vende cerveja sempre gelada ao lado do Pacaembu. O ‘Gordão’ é uma piada. Trabalha num escritório de advocacia na Av. Arnolfo Azevedo e usa a casa como ‘base’ para vender cerveja há quase oito anos. Não tem ‘rapa’ que o pegue. Mas deixa pra lá.

Os trechos, depois do jump – e seleciono uma frase, que considero única:

“Gastei 25 pence pra ver o jogo com o Ipswich [em 1972]. O pacote pra sócios prevê que, de setembro de 1993 em diante, um pacote no Setor Norte passe a custar no mínimo 1100 libras mais o preço do ingresso, o que, mesmo considerando a inflação, me parece um pouco demais. Um plano assim pode fazer sentido pro clube, do ponto de vista financeiro, mas torna inconcebível que o futebol no Highbury (estádio do Arsenal) volte a ser o que foi um dia.”

“Os grandes clubes parecem ter se cansado de lidar com a base de seus torcedores. Jovens da classe trabalhadora e da classe média baixa levam para os estádios uma série de problemas complicados e ocasionalmente perturbadores da ordem. As diretorias e os presidentes dos clubes podem alegar que esse pessoal teve o seu momento e estragou tudo, e que as famílias de classe média – o novo público-alvo – não apenas se comportam, como também pagam mais.”

“O Arsenal, o Manchester e o resto dos clubes pensam que as pessoas pagam pra ver o Paul Merson e o Ryan Giggs, e é claro que é isso. Mas muitos – o pessoal das cadeiras a vinte libras e dos camarotes executivos – pagam também pra assistir a torcida assistindo o Paul Merson (ou pra ouvir o que gritam pra ele). Quem compraria ingresso pra um camarote executivo num estádio cheio de executivos?

A lembrança acontece porque o curso “Brandscore – Performance de marcas no esporte”, realizado pela Perestroika, acaba de acertar uma aula “Nick Hornby” para a sua segunda edição paulistana, que acontece em meados de setembro (a edição carioca começa segunda-feira, 2). O escritor e jornalista Xico Sá fará um debate com o colunista Benjamin Back sobre os 20 anos do lançamento do livro e de como o futebol “pauta” a vida das pessoas no cotidiano. Imperdível. Outras aulas serão apresentadas por nomes bacanas do marketing esportivo nacional, como Tiago Pinto (Gatorade), David Grinberg (Mc Donald’s), Andrey Cabral (Red Bull) e Pedro Adamy (Ambev).