We are Social Animals

Problemas como parte do progresso.

Steven Pinker, professor de psicologia de Harvard e autor do best seller “Enlightment Now”, defendeu aqui no SXSW a tese de que hoje, nós (mulheres e homens) somos mais saudáveis, mais livres, mais seguros, mais ricos e mais felizes do que nunca antes na história da humanidade.

Steven Pinker

Com base em dados de diversas pesquisas, ele demonstra que a expectativa de vida nunca foi tão alta, os índices de mortes violentas e mortes no trânsito nunca foram tão baixos, gastamos menos tempo com os “afazeres domésticos” e nos sobra mais tempo para ficarmos com nossos filhos e para o lazer.

Os dados apresentados realmente mostram tudo isso, além de apontar curvas otimistas em todas as áreas. Difícil de acreditar, não é? Mas a razão, segundo o professor, é a grande mídia, que dá um espaço infinitamente maior para as tragédias do que para as boas notícias – e por isso achamos que a vida era muito melhor antigamente.

“somos mais saudáveis, mais livres, mais seguros, mais ricos e mais felizes do que nunca antes na história da humanidade”

Ao ser confrontado com dados referentes a crise climática e ao aumento da densidade demográfica, por exemplo, ele diz que “esses são problemas reais, mas nós temos capacidade e sabedoria para solucioná-los, como fizemos com as questões que apareceram até hoje”. Para Pinker, os problemas fazem parte do progresso, e segundo ele, “novas soluções trazem novos problemas”. Nosso desafio, então, é ficarmos atentos aos novos problemas que estão se apresentando com as mudanças que a tecnologia tem trazido para nossas vidas.

Social Animals (2018)

O documentário Social Animals, de Johnatan Ignatius Green, que teve sua première mundial no SXSW, é um excelente ponto de partida para essa reflexão. O filme mostra a relação de três adolescentes com o Instagram.

Embora eles vivam em universos diferentes, estão todos procurando as mesmas coisas em seus perfis na rede social – um pouco de amor, aceitação e fama. O filme acompanha esses jovens no mundo real e digital, e revela uma geração para a qual seguidores, “likes” e comentários marcam o sucesso e o valor próprio até as últimas consequências. O efeito da rede social na vida deles é assustador.

Somos convidados então a pensar e conversar sobre como se relacionar com o mundo virtual de forma saudável, e a dar ferramentas para que os adolescentes possam fazer o mesmo. Afinal, segundo Steven Pinker, felizmente nós temos sabedoria para enfrentar esses desafios.


Este post faz arte da cobertura oficial do SXSW 2018 pelo Update or Die, diretamente de Austin, no Texas. Não deixe de conferir os outros posts com o melhor do festival na nossa página exclusiva do festival clicando aqui.

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Fernanda Thompson
Fernanda Thompson trabalhou na área de marketing de grandes empresas e na agência de publicidade Ogilvy, antes de criar sua própria agência de RP. Daí vem sua paixão por estratégias. Formada em administração de empresas, estudou Consumer Behavior e Marketing Research na New York University, onde também fez cursos de cinema (um hobby desde que era criança), como Film Classics, The Art of Film e Ralph Appelbaum’s Filmmakers Dialogue. Fundou a Fernanda Thompson Estratégias em 2004.

One comment

  1. Muito legal Fernanda! Esse é um assunto recorrente por aqui e não tenho dúvida sobre a importância de uma atitude bem mais ativa em relação a nossa dieta digital. Temos todas as músicas, todos os livros, todos os filmes e todas as pessoas do mundo… e nenhuma desculpa para continuarmos boiando no mainstream da cultura e nem do jornalismo que há tantos anos nos afoga com tragédias, usando audiência como critério de pauta. Kevin Kelly é um que fala isso há anos também. Torcendo pelas novas gerações 😉

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