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A mente humana é a terra prometida da ciência

A ciência comprova o que a poesia já sabia: somos capazes de dizer muita coisa sem falar absolutamente nada – basta ter intimidade. Quem conseguiu provar essa “telepatia” inata à condição humana foi Moran Cerf, neurocientista e professor da Northwestern University, cujo estudo foi pauta de uma das melhores discussões recentes no novo Papo de Segunda, do GNT.

Fábio Porchat, Emicida, João Vicente e Francisco Bosco ponderaram os prós e contras dessa pesquisa que mostrou que, quando pessoas passam algum tempo juntas, suas ondas cerebrais começam a reproduzir um mesmo padrão, podendo até ser idênticas.

De acordo com os envolvidos nas pesquisas, além do eletroenfacelograma que acusou as zonas cerebrais que reagiam a certos estímulos, o trabalho também levou em conta padrões comportamentais.

Isso significa que aquele ditado popular “diga com quem anda e te direi quem és” é uma regra, e pode ser interpretado em sentido literal.

Esse campo da neurociência é a grande especialidade de Moran que, depois hackear bancos e outros sistemas de proteção digital, passou a hackear mentes. E foi graças a essa “pequena” mudança que hoje sabemos algumas curiosidades sobre o cérebro humano e seu comportamento, como fato de nossa atenção e focar mais facilmente e por mais tempo em pessoas com sotaques.

Moran também fez uso da ciência para provar que o sono está diretamente ligado à felicidade e é o fator mais importante neste quesito – superando espiritualidade, atividades sociais, exercícios físicos e voluntariado.

Um dos pontos mais polêmicos levantados pelo estudioso ao longo de sua carreira é que as decisões não são exatamente próprias. Tanto que ele defende que o melhor momento para estar diante de um juiz é imediatamente após o café-da-manhã ou almoço – porque o nosso “sim” e o nosso “não” têm a ver a com uma série de fatores externos e não apenas com a nossa moral.

Esses estudos renderam a Moran convites para palestrar em diversos países e eventos, sempre sob os mistérios da mente humana e a maioria sobre a questão do livre arbítrio, que no final das contas não é lá tão livre como supúnhamos e/ou gostaríamos que fosse.

Uma explicação mais detalhada desse estudo e suas descobertas foi levada ao TED:

Entre uma descoberta e outra, Moran não esconde o fato de que o avanço do nosso conhecimento acerca da mente humana beneficia a medicina, claro, mas também favorece o mercado. Uma vez que fica provado que é possível, senão controlar, mas influenciar as nossas escolhas, os negócios passam a adotar estratégias a fim de impulsionar as vendas – daí fenômenos como o “,99” nos preços dos produtos, ou a disposição certeira das guloseimas em lojas, mercados e restaurantes.

No final das contas, tudo que nos envolve afeta o nosso cérebro e, como nos lembra o Papo de Segunda, se tem uma coisa que podemos controlar para estimular nossa mente e deixá-la mais saudável é as amizades; as pessoas com quem compartilhamos tempo considerável.

Portanto, cerque-se de gente inspiradora e cultive a curiosidade: a educação é ainda a melhor defesa e o melhor ataque para uma sociedade hiperconectada, mas nem sempre comprometida com a verdade.


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Escrito por Gustavo Giglio

Updater, sócio do UoD, diretor de marketing/novos negócios.

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  1. “Portanto, cerque-se de gente inspiradora e cultive a curiosidade: a educação é ainda a melhor defesa e o melhor ataque para uma sociedade hiperconectada, mas nem sempre comprometida com a verdade.”… Excelente! Adorei a leitura, e vai render mais pesquisas…. Obrigado…

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