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Uma análise à espera do live action de O Rei Leão: a trama nunca foi tão atual

Chegando em 2019 o live action de Rei Leão, brilhando com Beyoncé como Nala, Donald Glover como Simba e Seth Rogen dando vida a Pumba, nosso suíno preferido, vale a pena falar da trama, e mais, do que simboliza essa história. Como toda criança nascida no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, fui exposto a uma quantidade infinita de conteúdo da famigerada Disney. Dentre uma das obras mais proeminentes da Casa do Mickey, o clássico Rei Leão se destaca brilhantemente como um marco, em termos de arte e de conteúdo. A associação mais comum com a história é a do clássico shakespeariano Hamlet. O tio cruel destrona o pai do protagonista e este, exilado, irá fazer uma longa jornada de autoconhecimento moral e emocional até retornar para casa e (spoiler alert) destronar seu inimigo. As semelhanças são sem dúvida incontáveis, mas Hamlet não explora, ou pelo menos não da mesma maneira que Rei Leão, as questões do totalitarismo, das castas e da estagnação social.

Calma, calma, vamos explicar: um ponto crucial da história é entendermos que Simba, apesar dos seus muitos dilemas pessoas e evoluções de personagem, representa a “tradição”. Ele é aquele que volta para restaurar as coisas como eram antes, o que foi perdido. Em termos freudianos [linha da psicanálise que segue os métodos e conceitos do médico austríaco, fundador da psicanálise, Sigmund Freud] isso pode significar muita coisa, mas em termos sociais é bem simples. O golpe de estado de Scar falhou, levou a selva à estagnação total, e necessita que o “equilíbrio” retorne, na figura do filho do rei tomando seu trono por direito. Scar é uma figura central, um populista que chama as camadas excluídas da sociedade a um golpe. Por que golpe? Pois ainda temos a figura do rei, Scar é rei. Em momento algum ele pensa em inverter a ordem social, por isso de maneira alguma é uma revolução. Ele instaura então um regime onde seus protegidos, as hienas divertidas e estúpidas, podem matar, caçar e perverter à vontade. E o que acontece? O ciclo da vida rui e, com a ausência das chuvas, a situação se agrava até o insustentável. Nesse cenário Simba retorna e destrona o tio, destruído pelas próprias hienas que percebem que eram apenas instrumentos nas mãos de Scar. Simba restaura o ciclo da vida e todos vivem felizes para sempre. Será? Um fator crucial, é que O Rei Leão coloca o ciclo da vida como: cada um tem seu lugar e além desse lugar você não pode ir. Scar de maneira alguma é um personagem bom, ele parece ser uma alternativa, mas na verdade é pior do que o que havia antes. Ele inflama as massas com o ódio e instaura seu regime de terror. Apesar de amar essa obra e reconhecer o grande valor artístico e simbólico, ainda seguimos com esse triste ponto, de que, em Rei Leão, cada um tem um lugar marcado na sociedade e fugir disso é trazer desequilíbrio. Qualquer semelhança com a vida real, é mera coincidência.

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Escrito por Leonardo Tramontina

Psicólogo, Geek, amante da Psicanálise, Cinéfilo. Fã de Tolkien, Lovecraft, Tolstoi e Cornwell. De Beatles a Smiths. Encontrando paralelos entre Freud e Star Wars. Especialista em Psicopedagogia e em beber cerveja independentemente da ocasião.

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